Ministros do STF ampliaram a pressão contra o colega Kassio Nunes Marques depois que os vazamentos mais recentes do caso Banco Master atingiram principalmente ele e seus familiares. Aliados de Alexandre de Moraes defendem que Kassio fique fora, em definitivo, dos julgamentos ligados ao escândalo.
Kassio avalia rever, depois das eleições, a decisão de se afastar da análise do relatório que incluiu mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Ele se declarou impedido na sessão do dia 15 de setembro, convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin.
A suspeita de elos com Vorcaro reforça a pressão por suspeição.
Ministros dessa ala dizem que a medida reduziria questionamentos sobre a imparcialidade do tribunal. Também daria tratamento equivalente a todos os citados no material das investigações, que apontou ainda um caso de usinas ligado a Kassio.
Kassio tem dito a pessoas próximas que o afastamento se deu naquele momento específico, em razão do cargo de presidente do TSE. Magistrados da ala ligada a Moraes, porém, dizem ser difícil recuar juridicamente de uma declaração de impedimento.
A suspeição pode ser alegada por foro íntimo, mas no impedimento a parcialidade fica mais clara na legislação. Até os vazamentos mais recentes, as notícias que ligavam Kassio ao Master giravam em torno do filho dele, Kevin Marques, numa subcontratação do banco.
O setor sucroalcooleiro é relevante para a investigação porque o Master teria adquirido créditos judiciais de disputas dessa área, entre elas o contrato de R$ 427 milhões que a Justiça já ligou à chamada Turma do KN.
Vazamentos de material do HD enviado pela Polícia Federal a gabinetes de ministros incluem citações ao nome de Kassio no contexto de uma atuação para destravar precatórios de Vorcaro.
A defesa de Kassio
Kassio nega qualquer irregularidade. Em nota, o gabinete do ministro afirma que ele nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nunca pediu nada a ele.
Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco.
Diálogos encontrados no telefone de Vorcaro mencionavam pagamentos de até R$ 500 mil mensais. A defesa de Kevin reconhece um valor menor, de R$ 281,6 mil pagos pela Consult por serviços jurídicos tributários, sem relação com o STF.
O ministro também citou o próprio voto pela manutenção da prisão de Vorcaro, do pai dele e de outros envolvidos, como prova de que não age em favor do banqueiro.
O que acontece agora
O pedido de investigação de André Mendonça contra Moraes seria julgado nesta quarta (23), mas a análise foi suspensa. O STF discute se os processos de Moraes e Mendonça devem seguir juntos, e a sessão será remarcada.
O prazo do pedido de vista sobre o relatório que aponta Moraes como interlocutor de 52 mensagens de Vorcaro acaba em dezembro, o que pode jogar a definição da crise entre os dois ministros para o ano que vem.
Ministros que conversaram com Fachin recomendam deixar qualquer conciliação para depois da eleição. Não há prazo para o presidente do STF decidir sobre o pedido de Mendonça. A crise já dura mais de 20 dias.












































































































































