Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), informaram à Polícia Federal neste sábado (19) que seus gabinetes não conseguiram acessar o conteúdo da mídia com a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Este Gabinete não logrou êxito em obter acesso efetivo ao material ali contido, permanecendo os respectivos dados e informações indisponíveis ao exame e análise deste juízo.

A frase, de André Mendonça, está no ofício que ele enviou ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Fux mandou um ofício separado, com o mesmo teor.

A mídia foi entregue pela PF aos dois gabinetes na quinta-feira (17), junto com uma cópia da íntegra dos dados do telefone apreendido em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes do Master.

Ao todo, ao menos cinco ministros já receberam cópia dos dados: Mendonça, Fux, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Segundo o g1, a lista inclui ainda Flávio Dino e Kassio Nunes Marques.

Os ofícios apontam duas possibilidades para a falha: ou o problema é técnico, ou a própria mídia entregue pela PF tem defeito. Os ministros pedem "auxílio técnico operacional" e a conferência da integridade do material.

A entrega ocorre em meio à crise no STF provocada pelas mensagens do celular de Vorcaro, que já revelaram conversas do banqueiro com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, além de referências ao ministro Kassio Nunes Marques.

Mendonça e Fux pediram acesso ao conteúdo na quarta-feira (16), um dia depois de sessão do STF convocada para decidir sobre possível investigação contra Alexandre de Moraes por supostas conversas com o ex-banqueiro.

O mesmo material já havia sido entregue a Zanin e Gilmar Mendes na segunda-feira (14). Na troca de ofícios anterior à sessão sobre Moraes, a guerra de despachos entre ministros do STF somou 44 movimentações em duas semanas.

Mendonça, relator do caso Master, chegou a dizer que todo o material necessário ao julgamento já estava disponível e que revelar o conteúdo completo do celular serviria apenas para "tumultuar" a sessão.

Segundo o g1, o material tem cerca de 500 gigabytes, organizados pela PF com o software de perícia IPED. O tamanho comportaria cerca de 140 mil imagens em alta resolução e 40 horas de vídeo.

O desgaste já aparece fora do tribunal: a rejeição a Mendonça disparou nas redes sociais nesta semana, embora ainda não supere a de Moraes.

O caso já rendeu outro desdobramento nesta semana: o procurador-geral da República, Paulo Gonet, confirmou a foto em que aparece com Vorcaro fumando charuto em Londres.