Um relatório confidencial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para "nível de criticidade" os riscos de interferência do governo Trump nas eleições de 2026. O documento foi enviado a Lula e ao TSE no fim de agosto, revelou a Folha de S.Paulo.
Segundo o relatório, a reafirmação do domínio geopolítico dos Estados Unidos na América Latina é prioridade central do segundo mandato de Trump. A estratégia prevê conter o avanço de potências rivais, como a China, na região.
O documento fala em "escalada de pressão sobre o Brasil" e em uma "intensificação seletiva" da pressão americana sobre o país.
A Abin atribui a resistência do Brasil à disposição do governo Lula de manter autonomia diante das exigências de Washington. Como consequência, aponta o relatório, o país entrou no radar de retaliações econômicas, comerciais e diplomáticas da Casa Branca.
O documento cita o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) como catalisador dessas sanções, por sua atuação junto à Casa Branca.
Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 4 anos e 2 meses de prisão por coação, por tentar usar a pressão americana para beneficiar o pai, Jair Bolsonaro. O STF manteve a condenação por unanimidade nesta semana.
Desde maio, a Abin identifica uma ofensiva contínua dos Estados Unidos contra o país. Ela inclui a classificação de facções criminosas brasileiras, como o PCC, como "organizações terroristas" pelo governo Trump, usada como gancho para sanções contra alvos específicos no Brasil.
Como as sanções já bateram no Brasil
As sanções já atingiram o país antes mesmo do relatório da Abin. Os Estados Unidos aplicaram um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e sancionaram o ministro do STF Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky.
É a mesma medida que Eduardo Bolsonaro pediu a Trump para reaplicar contra o ministro nesta semana.
O governo brasileiro respondeu com o Brasil Soberano, linha de crédito do BNDES de R$ 22,6 bilhões para empresas afetadas pela tarifa americana.
Resistir às exigências dos Estados Unidos teve custo concreto. O Brasil enfrentou tarifaço, sanção a um ministro do STF e a condenação de um ex-deputado que atuou para acioná-las.
O episódio de julho com o TSE
O atrito já havia aparecido em julho. O TSE confirmou que a embaixada dos Estados Unidos pediu para levar dois diplomatas do Departamento de Estado a Brasília, mas o Itamaraty negou os vistos de Riley Barnes e Samuel Samson em 24 de julho.
Segundo o Washington Post, citado à época pela imprensa brasileira, o objetivo da visita era lançar suspeitas sobre a integridade do sistema eleitoral.
Dias antes, o senador Flávio Bolsonaro havia dito publicamente que as urnas eletrônicas sofreriam um "ataque" nas eleições de 2026.
O relatório da Abin cita ainda uma minuta de declaração conjunta proposta pela Casa Branca, que exigia do Brasil garantias sobre "dissidentes políticos" nas eleições de 2026. Segundo o Metrópoles, Lula rejeitou a proposta, tratando-a como ingerência na soberania nacional.
O que vem a seguir
O relatório não estabelece prazo para o governo brasileiro reagir às pressões descritas. Nos bastidores, as equipes negociam um acordo em terras raras, mineral estratégico disputado por Washington e Pequim, que pode render um novo encontro entre Lula e Trump, ainda sem data marcada.























































































































