A Polícia Federal determinou a intimação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente Roberto Campos Neto e do controlador do BTG Pactual, André Esteves. Os três vão depor como testemunhas na Operação Compliance Zero, que apura o esquema do Banco Master. A convocação foi revelada nesta quarta-feira (9) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A investigação apura se dois ex-servidores da área de supervisão bancária do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, receberam pagamento do banqueiro Daniel Vorcaro. Em troca, ele teria obtido informação interna sobre a fiscalização do Master e assessoria informal.
Os dois eram, respectivamente, chefe e chefe adjunto do Desup, o departamento de supervisão de conduta do BC.
Por que os dois ex-presidentes do BC foram chamados?
Os nomes de Galípolo, Campos Neto e Esteves apareceram no depoimento de Paulo Sérgio Souza, que já é formalmente investigado na Operação Compliance Zero. Os quatro vão depor como testemunhas, obrigados por lei a dizer a verdade, e nenhum deles é suspeito no inquérito.
Ailton de Aquino, atual diretor de Fiscalização do Banco Central, também consta na lista de intimados. Ele já havia prestado depoimento antes na mesma operação e agora será ouvido novamente, segundo o documento ao qual a imprensa teve acesso.
Procurada, a defesa de Campos Neto contestou a informação. Disse que ele ainda não havia sido notificado pela Polícia Federal e criticou o vazamento do documento à imprensa, afirmando não ter como confirmar a existência, a autenticidade ou o conteúdo dele. Procurados, o Banco Central e o BTG Pactual não comentaram a intimação.
A intimação foi expedida em documento datado de 3 de agosto, dentro da Operação Compliance Zero. O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025; em 3 de setembro deste ano, o BC também decretou a liquidação da Trustee e da Banvox, empresas ligadas ao esquema.
O rombo deixado pelo conglomerado Master no Fundo Garantidor de Créditos soma cerca de R$ 51,8 bilhões, o maior da história do fundo. É mais que os R$ 32,5 bilhões, corrigidos, do caso Banco Nacional, recordista anterior. A crise levou o Banco Central a intervir em oito instituições financeiras ao todo.
É o desdobramento mais recente de uma crise que já rendeu duas liquidações do Banco Central. Agora ela bate à porta de quem já ocupou e de quem ocupa a presidência da instituição.
O que acontece agora
O documento ao qual a imprensa teve acesso não indica data para as oitivas. Os depoimentos de Galípolo, Campos Neto, Esteves e Aquino serão prestados por videoconferência.


























































