O presidente Lula pediu, em comício em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, na quinta-feira (17), que eleitores rejeitem o chamado voto "Marécio": a combinação informal entre Marília Campos (PT) e Aécio Neves (PSDB) para as duas vagas do Senado no estado.
"Não tem essa de Áurea ou Marília com Aécio ou com outro candidato qualquer. Eu preciso de ajuda no Senado e quem vai me ajudar é quem votar em Áurea e Marília", disse Lula, em referência à também candidata Áurea Carolina (PSOL).
O presidente criticou ainda o adversário: "Pensei que era meu amigo", disse sobre Aécio, lembrando desentendimentos de quando ele governou Minas, entre 2003 e 2010, e de ataques a Dilma na campanha de 2014.
O "Marécio" nasceu como estratégia de parte do eleitorado de centro-esquerda para tentar garantir as duas vagas sem depender da direita. Na base de Marília, em Contagem, porém, aliados temem que o movimento tenha saído pela culatra.
Ricardo Faria, sucessor dela na prefeitura, já convocou duas reuniões em 24 horas cobrando mais empenho pela candidatura.
A imprevisibilidade de Cleitinho
Do outro lado do espectro, quem embaralha a disputa é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), hoje favorito ao governo de Minas. Ele declarou apoio a Marco Antônio, o "Superman" (Novo), candidato ao Senado que também tem o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
O movimento pode puxar votos de segunda escolha da direita para fora dos nomes mais tradicionais do campo. A entrada tardia de Aécio Neves na corrida, oficializada em 28 de agosto, reorganizou ainda mais o tabuleiro.
Como fica o resto do campo
O PL mineiro também está rachado: parte do partido, incluindo Domingos Sávio, apoia Cleitinho para o governo, o que fragmenta ainda mais o voto de direita.
Institutos de pesquisa mostram os principais nomes de direita tecnicamente empatados, sem um favorito capaz de consolidar o campo a duas semanas da votação, segundo levantamento mais recente.
Marília já havia defendido publicamente a combinação com Aécio antes da fala de Lula em Montes Claros.
O que acontece agora
A votação para o Senado ocorre em turno único, no primeiro turno das eleições gerais, em 4 de outubro. Os dois candidatos mais votados em Minas Gerais nesse dia ocupam as duas vagas em disputa.



































