O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, acusa o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, de cobrar 10% sobre aportes de fundos de previdência pública direcionados ao banco. A acusação está em uma proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

Segundo a proposta, Vorcaro citou quatro fundos de previdência pública que teriam enviado recursos ao Master por intermédio dos dois dirigentes do União Brasil.

Fundos de previdência citados na delação de Vorcaro — conferido em 10/09/2026
FundoVínculoValor citado
RioprevidênciaRio de JaneiroR$ 2,97 bilhões
CedaeRio de Janeiro (água e esgoto)R$ 200 milhões
AmprevAmapáR$ 400 milhões
AmazonprevAmazonasR$ 50 milhões

Pela comissão de 10% alegada por Vorcaro, ACM Neto e Rueda teriam a receber R$ 200 milhões. O documento não detalha quanto cada um efetivamente recebeu, nem a base exata sobre a qual o percentual foi calculado.

A operacionalização, segundo a delação, teria passado por contratos de consultoria e por um escritório de advocacia ligado a Rueda, que recebeu R$ 6,4 milhões entre 2022 e 2025.

A empresa de consultoria de ACM Neto faturou R$ 5,4 milhões no mesmo período. Ele também teria investido R$ 7,9 milhões em um fundo da gestora Reag, citada na mesma proposta.

"ACM Neto e Antônio de Rueda intermediaram diversos negócios para o Banco Master, como o Credcesta, captação de investidores institucionais e intermediação junto ao BRB, sempre mediante o pagamento de vantagens indevidas", diz o documento apresentado por Vorcaro.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram a proposta de delação por falta de dados inéditos e por não haver garantia de devolução dos valores. A recusa não significa que a acusação foi considerada falsa: ela não trouxe elementos novos aos que já constavam da investigação sobre o Banco Master.

As insinuações são absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas.

A frase é de ACM Neto, hoje candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, em resposta às acusações de Vorcaro.

Rueda, presidente nacional do União Brasil e candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, disse ter "dificuldade em se pronunciar sobre documento ao qual não teve acesso" e negou qualquer irregularidade.

O nome de Vorcaro também aparece ligado ao BRB (Banco de Brasília): o grupo dele aportou R$ 750 milhões na instituição, que comprou R$ 6 bilhões em carteiras de crédito do Master. Foi esse mecanismo mais amplo que levou à intervenção do Banco Central no Banco Master, em novembro de 2025.

O caso segue sob apuração da Polícia Federal, que já intimou o presidente do Banco Central e o controlador do BTG Pactual para depor sobre outras frentes da crise do Master.

Nenhum dos dois ocupava cargo público no período de 2022 a 2025 citado pela delação. ACM Neto disputa hoje o governo da Bahia e aparece empatado com o governador Jerônimo nas pesquisas mais recentes.

O ponto em aberto

A delação foi rejeitada, mas o destino exato dos R$ 200 milhões calculados por Vorcaro segue sem resposta pública. O caso do Banco Master continua sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, e não há indicação de que a acusação específica contra ACM Neto e Rueda esteja sendo apurada por outra via.