O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quarta-feira (16/9), em ato de campanha no Recife, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "passou a mão na cabeça" do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A fala ocorre um dia após o STF discutir, sem decidir, uma investigação envolvendo o ministro.
"Se o Lula foi declarado presidente da República, ele deve ao Alexandre de Moraes, e é por isso que ele não pode criticar o Alexandre de Moraes. Ontem ele criticou, hoje ele já elogiou", disse Flávio.
Está devendo, Lula? Está devendo, Lula?
Flávio afirmou que a população quer a saída de Moraes e disse que, se eleito, pretende promover mudança no que chamou de "triste página da história do Brasil".
A crítica mira uma fala do próprio Lula. Nesta manhã, em podcast, o presidente disse que Moraes "prestou grandes serviços à democracia do Brasil", segundo apuração da jornalista Jussara Soares, da CNN.
Aliados de Lula avaliaram o elogio como um erro estratégico. Jussara Soares relatou: "há uma avaliação de aliados do presidente Lula de que ele não precisa ficar reprisando a história de Alexandre de Moraes".
Segundo a jornalista, a preocupação central dos aliados é que a fala reforce a narrativa da oposição de que Lula e Moraes estão alinhados politicamente, justamente quando o presidente tenta se distanciar do ministro.
Lula tenta esse distanciamento dizendo que não foi ele quem indicou Moraes ao STF. A declaração foi chamada de "deslize" por interlocutores do Planalto.
O motivo do incômodo: Moraes é o relator do inquérito da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O pano de fundo é a sessão do STF de terça-feira (15/9), que discutiu se duas petições do Caso Banco Master deveriam tramitar juntas. Uma delas cita Moraes a partir de mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
O placar chegava a 4 votos a 3 pela tramitação separada quando o ministro Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento. A PGR já havia pedido a nulidade do relatório sobre Moraes.
O que acontece agora
Segundo o Valor, coordenadores da própria campanha de Lula avaliam que Dino errou ao pedir vista, por prolongar o desgaste do candidato à reeleição. A campanha busca meios, junto ao presidente do STF, Edson Fachin, para destravar o processo.
Não há data para a retomada do julgamento.
A crise já rendeu desgaste interno na própria Corte: ministros de alas rivais avaliam que Fachin perde o comando do tribunal em meio ao imbróglio.



































































































