O ministro Alexandre de Moraes negou nesta segunda-feira (14) qualquer irregularidade na troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro e classificou como "nulo e imprestável" o relatório da Polícia Federal usado por André Mendonça para pedir a abertura de uma investigação contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF).
Vorcaro era o controlador do Banco Master, liquidado em novembro de 2025 após pressão regulatória do Banco Central, da Polícia Federal e do Ministério Público. Ele foi preso em 17 de novembro daquele ano, sob acusação de fraude de R$ 12,2 bilhões no sistema bancário.
A prisão veio na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. É da análise do celular apreendido nessa operação que nasce o relatório usado por Mendonça.
Na manifestação a Fachin, Moraes argumenta que houve quebra total da cadeia de custódia na produção do relatório. Segundo o ministro, o documento não foi elaborado inteiramente na Polícia Federal, mas contou com auxílio de um órgão externo, "provavelmente estrangeiro".
Os metadados do relatório mostram que ele foi aberto e finalizado no mesmo dia. Para Moraes, isso é indício de que o material foi "plantado" nos computadores da Polícia Federal.
O relatório produzido não encontrou nenhuma prática de infração penal.
A conclusão é do próprio Moraes, na mesma manifestação de 44 páginas.
Antes de pedir o relatório à PF, Mendonça já havia retirado o sigilo de pagamentos ligados a Vorcaro no mesmo processo. Ele justificou o pedido "atípico" à corporação citando "cautela" para preservar o sigilo da apuração, diante do risco de vazamento.
Para isso, Mendonça citou que o caso envolve autoridades como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Ele pediu o relatório aos delegados responsáveis e respondeu ao pedido de esclarecimento de Fachin na noite de 14 de setembro.
Moraes também associa o pedido de Mendonça à sua atuação como relator dos julgamentos da trama golpista. Para ele, a denúncia é uma tentativa de retaliação de aliados de condenados no processo.
A disputa se soma a um desgaste de imagem do tribunal. A desconfiança da população no STF chegou a 56% em pesquisa divulgada no fim de semana, o maior porcentual desde o início da crise entre os dois ministros.
O que acontece agora
A sessão desta terça-feira (15), anunciada no fim de semana, decide se o plenário abre investigação formal contra Moraes, sob a presidência de Fachin. O prazo de cinco dias para manifestação das partes, aberto em 3 de setembro, termina com o julgamento de hoje.


















































































