Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mostram o desembargador Newton Ramos, do TRF-1, negociando uma tarifa promocional em hotel de São Paulo citando o nome do ministro do STF Kassio Nunes Marques. Os dois negam irregularidade.
Segundo a reportagem, Vorcaro contratou o escritório de advocacia de Camilla Ramos, mulher do desembargador, para atuar em processos de interesse do banco. Nas conversas, Newton é identificado como da "Turma KN", iniciais do ministro Kassio Nunes Marques.
O vínculo entre a "Turma KN" e o caso Vorcaro já havia aparecido em um contrato de R$ 427 milhões apontado pela investigação.
Nas mensagens, Newton também negocia ingressos para uma corrida de Fórmula 1, show no hotel Rosewood, em São Paulo, e camarote na Sapucaí durante o carnaval do Rio.
Em nota, Nunes Marques afirma que "nunca votou a favor de Vorcaro do Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nem pediu nada a ele". Segundo o ministro, "nunca autorizou ninguém a falar em nome dele".
Já o desembargador Newton afirmou manter relação pessoal com Vorcaro anterior aos fatos investigados. Segundo ele, pedidos ligados a imóveis e transporte ocorreram no âmbito dessa relação privada, sem vínculo com suas funções públicas.
"Tratou-se de situação privada articulada com a profissional que presta serviços para o referido banco, sem qualquer vínculo com funções públicas. Por fim, nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master", disse Newton Ramos.
O escritório de Camilla Ramos, por sua vez, informou que sua atuação em defesa do Master ocorreu "regularmente, dentro dos limites legais e mediante a devida habilitação nos respectivos processos".
Uma das mensagens mostra a funcionária do marketing do Master, identificada como Ana Matos, recebendo um pedido do desembargador para uma tarifa promocional na hospedagem de Nunes Marques no hotel Fasano, em São Paulo.
Oi Ana, tudo bem? Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional para o Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo sábado.
O que muda no depoimento de Vorcaro
A defesa de Vorcaro pediu ao STF o adiamento por "pelo menos dez dias" do depoimento dele, marcado para esta quinta-feira (24), no inquérito sobre fraudes envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB).
Os advogados alegam que Vorcaro ainda não teve acesso à íntegra do inquérito e que precisam de ao menos dez dias para avaliar o material antes do depoimento.
É mais um pedido da defesa nesta semana: o primo do banqueiro pediu a Fachin o fim da prisão e a volta do caso ao ministro André Mendonça.
O caso está hoje sob relatoria temporária do presidente do STF, Edson Fachin. Outros ministros citados nas mensagens vazadas, como Mendonça e Luiz Fux, já disseram à PF que não têm acesso ao celular de Vorcaro.





































































































































