O ministro Gilmar Mendes, do STF, chamou André Mendonça de "boneco de campanha" e "pixuleco eleitoral" nesta quinta-feira (17), em texto publicado no X. A crítica veio em defesa do procurador-geral, Paulo Gonet, citado em mensagens ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
As mensagens vieram à tona no relatório da Polícia Federal do caso Banco Master, sob relatoria de Mendonça. Nelas, o advogado Ciro Soares repassa a Vorcaro mensagens atribuídas a Gonet, e o banqueiro pede a Moraes que acione o procurador para barrar a operação.
Gonet negou qualquer proximidade com Vorcaro na sessão de terça-feira (15).
Foi a segunda vez que ele rejeitou publicamente o vínculo em menos de uma semana, na mesma sessão em que o próprio Mendonça reconheceu, em plenário, que nada havia contra o procurador.
A crise no STF começa em 1º de setembro, quando a PGR pediu a anulação do relatório da PF sobre as conversas entre Moraes e Vorcaro. O documento, segundo o jornal O Tempo, foi produzido a pedido do próprio Mendonça, quando ainda relatava o inquérito.
Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.
Para Gilmar, o dano à reputação de Gonet já estava feito quando o sigilo foi levantado, mesmo com o próprio relator reconhecendo depois que não havia irregularidade. "Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário", escreveu o ministro.
Gilmar comparou o episódio à Operação Lava Jato, citando que Sergio Moro e Deltan Dallagnol "transformaram vazamento seletivo em método". Segundo a Folha de S.Paulo, o ministro atribuiu a Mendonça a intenção de beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
O termo "pixuleco eleitoral" foi replicado por pelo menos sete veículos diferentes ainda nesta quinta. Segundo Gilmar, esse tipo de exposição favorece o que chamou de "linchamento coletivo", enfraquece o direito de defesa e atinge a presunção de inocência.
Esta é a segunda vez em três dias que os dois ministros trocam farpas em público. A fratura exposta ao vivo e nas redes ocorre a menos de um mês da eleição presidencial e estadual de outubro.
Mendonça não se pronunciou publicamente sobre a nova declaração de Gilmar até a publicação desta reportagem. Na sessão de terça, sua reação ao vivo foi rebater aos gritos: "A desfaçatez de Vossa Excelência! Me respeite!"
O que acontece agora
O imbróglio é parte de uma disputa maior sobre quem deve relatar o caso, hoje sem decisão. Na mesma sessão de terça, Moraes votou em questão de ordem mesmo apontado como impedido pelo ministro Flávio Dino.









































































































