O número de candidatos a deputado que usam nome ligado a igrejas na urna caiu 35% em quatro anos em Pernambuco, segundo dados do TSE. O estado vai eleger 49 deputados estaduais e 25 federais em outubro, entre 961 candidaturas proporcionais.
A queda acompanha o movimento nacional: candidaturas a deputado estadual recuaram 32% e a deputado federal, 26%, entre 2022 e 2026, segundo o TSE. Em Pernambuco, o recuo foi mais brando: 15% no estadual e 17% no federal.
Levantamento do Diário de Pernambuco com base no Divulgacand, do TSE, identificou 35 candidatos com nome evangélico na urna neste ano, de um total de 961. Apenas dois estão no campo da esquerda: Irmão Bob do Táxi e Irmã Lalá, ambos do PSB.
O mesmo levantamento contou outros 35 candidatos que usam patente militar ou cargo policial no nome de urna, todos no espectro de direita. O PL lidera esse grupo, com nove candidaturas, seguido pelo Podemos, com seis.
A composição de gênero segue concentrada nos dois grupos. Entre os candidatos com nome evangélico, 68,6% são homens, proporção que sobe para 75,7% entre os que usam identificação militar ou policial.
Por que o nome de urna importa tanto?
O nome de urna funciona como atalho para o eleitor, segundo o cientista político Bhreno Vieira. Disputas para deputado reúnem centenas de candidatos com pouca informação disponível sobre cada um.
"A escolha para deputado ainda costuma ser um voto menos lembrado e frequentemente definido mais perto da eleição", diz Vieira. Segundo ele, o eleitor recorre a atalhos como profissão, religião ou vínculo com o município para decidir.
Para o pesquisador Mário Veras, a lógica se repete em outros marcadores de identidade. "A heurística pode ser de sexo, raça, religião e trabalho, por exemplo", afirma. Ele nota que grande parte do apoio das igrejas a candidatos evangélicos não é declarado publicamente.
No país, a queda de candidaturas com perfil militar ou policial foi ainda mais acentuada: 36,4%, ante 29,1% de queda geral nas candidaturas em geral, como já ocorreu em Minas Gerais.
O resultado interrompe um ciclo de crescimento de candidaturas militares que durava desde 2010.
A queda ocorre no mesmo momento em que a Justiça Eleitoral endurece as regras sobre o nome de urna, como no caso em que o TSE barrou o sobrenome Bolsonaro de um candidato do PL.
O uso político de sobrenomes e títulos no nome de urna já havia recuado em outra frente: o número de candidatos que adotaram 'Bolsonaro' na urna também caiu em 2026.
O que acontece agora
As candidaturas registradas ainda podem sofrer impugnação até o julgamento dos TREs. O primeiro turno das eleições estaduais e federais está marcado para outubro, quando o eleitorado decide quais desses nomes chegam à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.





























