Uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra que 76% dos brasileiros consideram que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm poder excessivo. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre terça (8) e quinta-feira (10), a pedido da Folha de S.Paulo e da TV Globo.

Ao mesmo tempo, 71% dizem que a Corte é essencial para a democracia, e 77% afirmam que a confiança da população no tribunal caiu. A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-01833/2026.

O levantamento foi feito em meio à crise pública entre os dois ministros. Mendonça divulgou um relatório sigiloso que aponta contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Mensagens mostraram Vorcaro perguntando a Moraes sobre deixar o país para evitar a prisão. O banqueiro é apontado pela Polícia Federal como núcleo da maior fraude bancária do país.

A pesquisa também testou o apoio a medidas contra os dois ministros envolvidos no atrito. Para Mendonça, 37% apoiam o afastamento temporário e 12% querem o impeachment.

Para Moraes, 34% apoiam o afastamento temporário, mas o apoio ao impeachment sobe para 28%.

Enquanto o apoio ao afastamento temporário é parecido entre os dois ministros, a diferença aparece na medida mais grave: o apoio ao impeachment de Moraes é mais que o dobro do registrado para Mendonça.

Datafolha havia feito a mesma pergunta sobre o poder do STF em abril, quando 75% davam a mesma resposta. O índice subiu 1 ponto em cinco meses, dentro da margem de erro.

Na pesquisa de abril, que usou a mesma pergunta, o resultado variava conforme o voto em 2022: entre eleitores de Jair Bolsonaro, 88% viam poder excessivo no STF, contra 64% dos eleitores de Lula. A pesquisa de setembro não divulgou esse recorte.

O que acontece agora

O caso segue no STF com data marcada: Fachin manteve para o dia 23 de setembro a sessão sobre o relator do caso Master, apesar de dois pedidos de adiamento apresentados por ministros da Corte.

Enquanto isso, Mendonça já retirou o sigilo de 14 processos ligados ao caso Master a pedido do próprio Fachin, movimento que ampliou o acesso público às investigações que motivaram a pergunta da pesquisa.