O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou os cartéis latino-americanos de "Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental" na ONU nesta terça-feira (22), citando o PCC e o Comando Vermelho. Ele defendeu que sejam mortos, exilados ou detidos como combatentes inimigos, sem possibilidade de libertação.
Como o Estado Islâmico, eles devem ser mortos, exilados ou detidos como combatentes inimigos, sem possibilidade de libertação.
A frase foi dita horas depois de Lula discursar na mesma tribuna, na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Segundo a CNN Brasil, Trump descreveu os cartéis como "inimigos em guerra com a civilização".
O presidente americano disse ainda que eles usam "assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror", ao defender o uso de força militar contra o narcotráfico na região.
O discurso serviu de pano de fundo para o anúncio do Escudo das Américas, aliança formada pelos Estados Unidos e mais 14 países da região. O grupo passou a mirar 24 organizações narcoterroristas, entre elas o PCC e o Comando Vermelho.
As medidas incluem congelamento de ativos, restrição de visto e responsabilização criminal de quem prestar apoio a essas organizações. O Brasil está fora da lista de signatários, como mostra a classificação do PCC e do CV como terroristas por 14 países.
Segundo a ACM Notícias, o governo brasileiro não apoia o crime organizado, mas diverge do método adotado pelos EUA. Prioriza a soberania nacional e resiste à classificação automática de facções como alvo militar.
A alternativa defendida por Brasília é rastrear o patrimônio dessas organizações, em vez de tratá-las como combatentes de guerra.
Lula já havia rejeitado a presença militar estrangeira na região em discurso na ONU mais cedo no mesmo dia. Após a fala de Trump, o petista voltou a reagir.
"O Brasil não cabe no quintal de ninguém", disse Lula, em nova crítica a uma eventual ação militar dos Estados Unidos contra organizações criminosas em solo latino-americano.
A delegação brasileira evitou um encontro entre os dois presidentes em Nova York.
O que muda para o Brasil
Na prática, as sanções do Escudo das Américas valem para os 15 países que assinaram o acordo, e o Brasil está fora delas. O efeito imediato é diplomático, não jurídico.
PCC e CV passam a ser citados por um presidente americano como alvo de discurso de guerra. O Brasil segue tratando o combate às facções pela cooperação policial e o rastreamento financeiro, como mostra a análise sobre a ameaça de Trump à América Latina.
A fala de Trump aprofunda o isolamento do Brasil na política de segurança regional, justamente quando outros 14 países da América Latina e do Caribe formalizam uma frente conjunta sem participação brasileira.
O que acontece agora
As medidas do Escudo das Américas ainda dependem de regulamentação em cada país-membro para entrar em vigor. O Brasil não indicou mudança de posição e deve manter sua política própria contra o PCC e o CV, à margem da coalizão liderada pelos EUA.






































