O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, perdeu o controle da sessão que discutiu nesta terça-feira (15) se o caso de Alexandre de Moraes seria julgado junto com o de André Mendonça, segundo ministros de alas rivais. Flávio Dino assumiu a condução dos trabalhos, e a sessão sobre Mendonça, marcada para 23 de setembro, foi cancelada.

Segundo ministros ouvidos pela CNN Brasil, nem mesmo a abertura dos trabalhos teve controle exercido pela presidência. As interrupções partiram principalmente de Dino e do ministro Gilmar Mendes, que chamou Mendonça de "desfaçatez" e provocou um bate-boca no plenário.

Uma avaliação vinda de dentro do STF resume o cenário. Dino exerceu, "de forma informal", a presidência do Supremo no lugar de Fachin.

Por que a sessão travou

A discussão era sobre separar ou não os processos de Moraes e Mendonça, ligados a mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Antes da interrupção, o placar estava em 4 votos a 3 pela separação dos casos.

Votaram para separar Fachin, Mendonça, Fux e Cármen Lúcia; para unir os processos, Moraes, Zanin e Gilmar Mendes.

Vorcaro, preso em novembro passado, é apontado como o operador do Master, liquidado pelo Banco Central na maior intervenção bancária da história do país. O banco havia emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs lastreados em ativos de baixa liquidez.

Dino pediu vista dos autos e suspendeu a votação um dia antes, também criticando publicamente a forma como Fachin assumiu a relatoria do caso. Na mesma semana, Cármen Lúcia disse se sentir "envergonhada" com a exposição do STF a menos de 20 dias da eleição.

"Ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo melando o Brasil, atrapalhando a nossa democracia", disse o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que também acusou Lula de ter "dividido seu poder" com Moraes.

Da crítica escapa um dado. Apenas quatro dos dez ministros do STF foram indicados em governos do PT (Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e o próprio Dino).

A crise ecoa também nos Estados Unidos. O Departamento de Estado avalia recolocar Moraes na lista de sanções da Lei Magnitsky, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro viaja a Washington nesta quarta (16) para cobrar a medida.

O que acontece agora

Com a vista de Dino, o julgamento sobre separar os processos de Moraes e Mendonça não tem data para ser retomado, e a sessão sobre Mendonça segue sem data. O impasse fica como pano de fundo da campanha que decide o próximo presidente em outubro.