A policial militar Tabatta Baby Lacerda Santos, 35 anos, levou cerca de sete anos entre encontrar um nódulo na tireoide e receber o diagnóstico de câncer com metástases. Sem sintomas no início, ela passou a sentir bola na garganta e falta de ar nos exercícios.

O nódulo apareceu numa ultrassonografia pedida pela ginecologista. Na época, Tabatta não sentia nada e recebeu a orientação de apenas acompanhar o crescimento, ainda pequeno. Uma ultrassonografia posterior indicou punção aspirativa por agulha fina, exame que retira células do nódulo para análise.

Entre a descoberta inicial e a confirmação do câncer, passaram-se cerca de sete anos, período marcado por mudanças de estado, de carreira e pela pandemia da Covid-19.

Antes do diagnóstico, a PM mantinha rotina ativa em Balneário Camboriú (SC): trabalhava na radiopatrulha, fazia musculação cinco vezes por semana e treino cardiovascular outras quatro ou cinco. Ela não tinha histórico familiar de alterações na tireoide.

Por que o câncer de tireoide pode não dar sintomas?

A médica oncologista Marcella Oliveira Rabelo Amaral explica que muitos cânceres de tireoide, sobretudo os carcinomas diferenciados, crescem devagar e não costumam incomodar enquanto o tumor ainda é pequeno.

"Por isso, não é raro que o nódulo seja descoberto por acaso, durante um exame de imagem feito por outro motivo, ou até mesmo durante um exame de rotina", diz a oncologista.

Ter um nódulo não significa ter câncer. Na ultrassonografia, características como composição predominantemente sólida, pequenas calcificações, bordas irregulares e formato mais alto do que largo podem aumentar a suspeita, segundo a médica.

O acesso a aparelhos de ultrassom em unidades básicas de saúde é hoje um dos caminhos para flagrar esse tipo de achado ainda cedo.

O câncer de tireoide é o quinto tipo mais comum entre mulheres no Brasil, respondendo por 5,1% dos casos femininos de câncer estimados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028.

"Os sintomas que eu notei, que fizeram eu perceber que meu nódulo havia crescido, eram sentir como se tivesse algo preso no final da garganta, como se fosse uma bola, e um pigarro que não passava. Agora sinto um pouco de falta de ar quando pratico atividade física", relata Tabatta.

Como é o tratamento e o que acontece agora

O plano terapêutico de Tabatta prevê a retirada total da tireoide e o esvaziamento cervical, para remover os linfonodos comprometidos, seguido de tratamento com iodo radioativo. A cirurgia está agendada para outubro.

Segundo a oncologista, a definição do tratamento considera "fatores como tipo e tamanho do tumor, comprometimento de estruturas próximas, presença de linfonodos afetados e eventual disseminação para outros órgãos".

O caso de Tabatta é acompanhado enquanto o SUS tenta reduzir o tempo entre exame e resposta. O Ministério da Saúde informa que já encurtou de 30 para 8 dias a espera por laudo de câncer na rede pública em parte do país.

Avanços no tratamento oncológico também têm chegado a outros tipos de tumor: a Anvisa aprovou recentemente um remédio oral que reduz o avanço do câncer de mama, sinal de que a oncologia segue somando opções para diagnósticos tardios como o de Tabatta.