A CBF vai reduzir gradualmente o número de jogadores estrangeiros permitidos por clube nos próximos anos, o que aumenta o interesse de times e atletas pela naturalização. O meia Arrascaeta, do Flamengo, iniciou o processo em 2023, depois de oito anos no futebol brasileiro.

A naturalização ordinária exige residência contínua e ininterrupta de pelo menos quatro anos no Brasil, maioridade, capacidade de se comunicar em português e ausência de condenação penal. O pedido é feito à Polícia Federal, que repassa o processo ao Ministério da Justiça.

O prazo cai para um ano quando o requerente tem filho brasileiro nato, é casado com cônjuge brasileiro ou vem de país lusófono, como Portugal e Angola.

As regras também toleram ausências do país: quem soma até um ano fora dentro do prazo de quatro anos não perde a contagem. Se o jogador atua mais de um ano fora, porém, o relógio zera a partir do retorno.

Quem já se naturalizou e quem pode ser o próximo

Kannemann, do Grêmio, obteve a cidadania brasileira neste ano e deixou de ocupar vaga de estrangeiro no time. Antes dele, o ex-meia D'Alessandro seguiu o mesmo caminho.

No Flamengo, onde Arrascaeta é titular, também aparecem na lista de elegíveis Agustín Rossi, Guillermo Varela e Erick Pulgar. No São Paulo, Arboleda e Calleri já cumprem o tempo mínimo de residência.

No Fluminense, Germán Cano, Agustín Canobbio e Soteldo também poderiam iniciar o processo. No Palmeiras, a lista inclui Flaco López e Joaquín Piquerez.

Gustavo Gómez, zagueiro e capitão do Palmeiras, é o principal nome de fora: o Paraguai não permite dupla cidadania, e ele teria que abrir mão do passaporte paraguaio para se naturalizar, o que inviabiliza o processo enquanto seguir na seleção do país.

O que muda na prática para os clubes

Hoje, cada clube pode relacionar até cinco estrangeiros por partida em competições da CBF. A entidade já confirmou que esse número vai cair nos próximos anos, até 2030.

Jogador naturalizado deixa de contar nessa cota, mesmo sem trocar de seleção nacional. Para clubes com muitos sul-americanos no elenco, como Flamengo e Palmeiras, a naturalização virou ferramenta de planejamento, não só de identidade.

O limite de estrangeiros varia bastante entre as ligas ao redor do mundo, e o Brasil segue no meio da tabela nesse quesito.