A líder opositora venezuelana María Corina Machado fez ao menos três tentativas frustradas de retornar à Venezuela nesta terça-feira (22), segundo sua equipe. As tentativas ocorreram enquanto a presidente interina, Delcy Rodríguez, se reunia com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York.
Pedro Urruchurtu, assessor de Machado, afirmou que as tentativas mais recentes foram feitas por mar e por via aérea. Segundo ele, elas somam 7 tentativas fracassadas de retorno desde que a opositora deixou a Venezuela clandestinamente, há cerca de 9 meses.
Por que ela não consegue voltar?
A primeira tentativa aconteceu em 26 de junho, num voo privado que partiu de Manassas, na Virgínia, com destino a Curaçao. A aeronave teve de retornar à origem por instruções operacionais recebidas pelo piloto.
Uma segunda tentativa veio dois dias depois, com a compra de uma passagem da Copa Airlines na rota Panamá-Caracas, cancelada depois que a companhia recebeu alertas de segurança sobre suas autorizações de operação.
Nas semanas seguintes vieram mais dois planos fracassados. Nesta semana, mais três tentativas partiram do Panamá, por barco e por voos a Aruba e Curaçao.
Machado não comentou publicamente o caso até a publicação desta matéria. Ela é a atual ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, concedido pelo trabalho em defesa dos direitos democráticos do povo venezuelano.
Machado vive escondida ou fora do país desde que rejeitou o resultado da eleição de 2024, contestada, declarada a favor de Nicolás Maduro.
O que mudou na relação entre EUA e Venezuela?
O encontro entre Trump e Rodríguez foi o primeiro entre os dois desde a operação militar que capturou Maduro, em janeiro. Desde que Rodríguez assumiu a Presidência interina, Washington ampliou o diálogo com Caracas e fechou acordos econômicos com o novo governo.
Rodríguez publicou uma foto ao lado de Trump e disse que os dois conversaram sobre o fortalecimento das relações bilaterais e o avanço da cooperação em energia, mineração e segurança.
A pauta do encontro já havia sido antecipada como energia e dívida da Venezuela, no que seria o 1º encontro de um presidente americano com o líder venezuelano em 27 anos.
Trump, por sua vez, voltou a chamar Maduro de "ditador fora da lei" durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, e exaltou a operação que resultou na captura do ex-presidente.
Setores ligados a Machado criticam essa aproximação. Eles acusam os Estados Unidos de reduzir a pressão por eleições livres na Venezuela em troca de acordos comerciais e petrolíferos com o governo interino que sucedeu Maduro.
O ponto em aberto
O episódio expõe uma tensão que ainda não tem resposta. Os Estados Unidos apoiaram a candidatura de Machado e celebraram seu Nobel da Paz, mas negociam energia e segurança com o governo que a impede de entrar no próprio país.
Nenhum dos lados detalhou publicamente se o acesso de Machado à Venezuela entrou na pauta da conversa entre Trump e Rodríguez em Nova York.

































