Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) mostra que, para 34% dos eleitores, a chance de votar em um candidato ao Senado aumenta se ele apoiar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para 31%, o efeito é oposto.

Para outros 30%, a posição do candidato sobre o tema não muda a decisão de voto. Os 5% restantes não souberam responder.

Entre quem vota em Lula (PT), defender o impeachment aumenta a chance de voto no candidato para 23%, mas diminui para 36% e não tem impacto para outros 36%.

Entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), a tendência se inverte. Ali, quem apoia o impeachment ganha quase o dobro de eleitores do que perde: a chance de voto sobe para 49%, contra 25% que se afastariam.

O que motivou a crise no STF

A defesa do impeachment ganhou força após revelações sobre o envolvimento de ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Mensagens do celular dele mostram que, dois dias antes de ser preso, perguntou a Alexandre de Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?".

As conversas também indicam que Moraes editou um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes.

O relatório da Polícia Federal com o material foi levado ao plenário por André Mendonça, relator do caso, para que a corte decidisse sobre abrir investigação contra o colega.

Moraes reagiu acusando Mendonça de motivação política e pediu inquérito por abuso de autoridade contra ele. Nenhum dos dois ministros foi condenado por qualquer das suspeitas até esta publicação.

O que muda com a votação de outubro

Em dezembro de 2025, o ministro Gilmar Mendes alterou o rito de impeachment de ministros do STF: o quórum, antes de maioria simples, passou a exigir 54 votos, dois terços do Senado. É justamente o número de cadeiras em disputa nas eleições de outubro.

Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), dizem que ele deve esperar o resultado das urnas para decidir se dá andamento aos 109 pedidos de impeachment já protocolados contra ministros da corte.

Quem perde mais com a crise

Outro recorte da mesma pesquisa mostra que 47% dos eleitores dizem que a crise no STF e o escândalo do Banco Master terão alguma influência no voto para presidente, sendo 36% que apontam grande peso.

Questionados sobre qual candidato mais perde com a crise, 38% apontam Lula, e 31% citam Flávio Bolsonaro. Para 25%, nenhuma candidatura é prejudicada, e 5% avaliam que todos perdem.

O Datafolha ouviu 2.001 eleitores entre terça (15) e quinta (17) de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha e pela Globo e está registrada no TSE sob o código BR-04029/2026.