O Guaíba entrou em cheia em Porto Alegre na noite desta terça-feira (22), ao superar a marca de 2 metros no Cais Central da Mauá. A MetSul projeta um pico entre 2,35 e 2,55 metros, esperado entre quarta (23) e sexta-feira (25) desta semana.

Às 13h desta terça, o nível já batia 1,90 metro no Cais Central da Mauá. Alagamentos costumam atingir as ilhas de Porto Alegre quando o rio chega à faixa de 2,00 a 2,10 metros.

Por que o Guaíba está subindo agora?

A cheia vem dos rios que desembocam na Bacia do Guaíba. Um temporal atingiu mais de 100 cidades do Rio Grande do Sul na segunda-feira (21), com ventos de até 115 km/h e chuva volumosa na Serra Gaúcha.

O rio Caí chegou a 14,3 metros em São Sebastião do Caí na madrugada de terça, mais de 4 metros acima da cota de inundação. O Taquari atingiu 24,3 metros em Lajeado na tarde do mesmo dia.

As duas cheias agora escoam rio abaixo, em direção a Porto Alegre.

Isso é como a enchente de 2024?

Não, pelo menos não pelos números até agora. A enchente histórica de maio de 2024 chegou a 5,33 metros no Cais Mauá, o maior nível em mais de 150 anos de registro na cidade.

O pico previsto para esta semana é menos da metade disso.

Depois da ruptura no dique em 2024, a Prefeitura elevou a estrutura de proteção da cidade para 5,8 metros e reformou as comportas do sistema.

Das 14 comportas existentes até 2024, 8 viraram estruturas permanentes em concreto armado, e outras 6 passaram por modernização, segundo o Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgotos).

Os números desta semana ainda não testam essa estrutura no limite. O volume de chuva do temporal atual foi bem menor que o da tempestade de 2024.

É um padrão de chuvas fortes que o El Niño já vinha empurrando para o Sul do país nesta primavera.

Não é a primeira vez que um rio sobe rápido demais no país neste mês. Em Santa Catarina e no Paraná, o rio Iguaçu também tirou milhares de famílias de casa num episódio parecido de cheia repentina.

O ponto em aberto

A dúvida que fica é se o sistema reforçado vai se mostrar mais eficiente numa cheia de fato grande, e não apenas numa de porte moderado como esta.

Só uma chuva na escala de 2024 vai colocar à prova se o dique elevado e as comportas novas realmente mudam o resultado para a cidade.