Um vídeo revelado por O Globo mostra Alexandre de Moraes e Viviane Barci desembarcando de um jatinho ligado a uma empresa de Daniel Vorcaro no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, em 22 de agosto de 2025, segundo G1, CNN Brasil e Folha.

Segundo o G1, a aeronave era um Embraer Legacy 650 de matrícula PP-NLR, pertencente a uma empresa que tinha Vorcaro como sócio. A gravação foi publicada pela coluna de Lauro Jardim neste domingo (20).

O escritório Barci de Moraes afirmou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, ligada a Vorcaro. A nota nega que o casal tenha viajado com o ex-banqueiro ou com pessoa ligada a ele.

“A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos”, disse o escritório, segundo o G1.

O ponto central é a diferença entre usar serviço de táxi aéreo e receber bem ou serviço como pagamento, hipótese citada em relatório da PF.

O que a PF apontou?

A PF apontou, em relatório citado pelo G1, que o avião aparece como possível forma de pagamento em um segundo contrato de R$ 50 milhões entre o escritório de Viviane Barci e a Viking Participações, empresa de Vorcaro.

O documento, segundo o G1, previa prestação de serviços jurídicos, consultorias administrativa, tributária e trabalhista, além de atuação em inquéritos civis e criminais do Ministério Público. O pagamento seria feito em 36 meses.

A CNN Brasil informou que Moraes negou, em defesa por escrito apresentada ao STF na terça-feira (15), a existência de um segundo contrato. “INEXISTIU SEGUNDO CONTRATO OU QUALQUER OUTRO VÍNCULO”, afirmou o ministro no documento citado pela emissora.

Qual é a versão do escritório?

A versão do escritório é que a Prime Aviation foi uma das empresas contratadas para serviços de táxi aéreo. A nota afirma que a escolha das aeronaves cabia às empresas de aviação civil contratadas.

À CNN Brasil, o escritório disse que em nenhum voo da Prime Aviation com integrantes da banca esteve presente Daniel Vorcaro ou pessoa alheia ao escritório. A Folha informou que a assessoria do STF não faria nova manifestação até aquele momento.

A Folha também registrou que, em abril, Moraes havia dito por nota que eram falsas as ilações da reportagem anterior e que jamais viajara em avião de Vorcaro ou na companhia dele.

O que acontece agora

O que acontece agora é a incorporação do vídeo à sequência política e judicial do caso Master. A TV Sim já mostrou que o STF discutiu pela primeira vez abrir investigação contra Moraes.

A crise também alimentou reação no Congresso, onde parlamentares voltaram a defender propostas para limitar o STF.

Em outra frente, Gilmar Mendes cobrou fim do partidarismo no TSE.

Até uma decisão formal, o vídeo acrescenta um registro visual a fatos já discutidos em documentos e notas. Ele não substitui a apuração sobre contratos, pagamentos e eventual vínculo jurídico entre as partes.