O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, fixou um calendário para a crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O desfecho só deve sair depois de 22 de setembro, 12 dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
A crise tem duas frentes. Na primeira, Mendonça liberou para julgamento no plenário do STF o caso sobre as mensagens com Moraes, depois de retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal, em 1º de setembro.
O documento aponta relação de proximidade entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e suspeito de fraudes bilionárias.
Na segunda frente, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news, aberto em 14 de março de 2019, mais de sete anos atrás. Ele segue sem previsão de terminar.
Entre as mensagens que embasam o relatório, uma troca datada de 15 de novembro de 2025 (dois dias antes de a Justiça prender Vorcaro) mostra o banqueiro perguntando a Moraes:
Acha que segunda já tenho que estar fora?
Ainda segundo o relatório da Polícia Federal, Vorcaro também teria pedido que o ministro intercedesse junto ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o Banco Master.
Moraes negou ter recebido as mensagens, em nota incluída ao processo por determinação de Fachin.
O caso expõe uma corte dividida. Segundo o Poder360, o plenário está rachado sobre investigar ou não o próprio ministro, e a ministra Cármen Lúcia é o voto que ainda falta definir. Pela regra do empate, a indefinição favorece o investigado.
O escrutínio sobre o Banco Master já rendeu outros desdobramentos. Em nota, o vice-presidente Geraldo Alckmin pediu investigação sobre doações da instituição ao governador Tarcísio de Freitas.
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A crise virou parte da mobilização de 7 de Setembro. O ato na Avenida Paulista, convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o lema "Fora Lula, Fora Moraes" e pedido de impeachment do ministro, teve as mensagens de Vorcaro como parte do combustível.
Em 2025, estimativas da USP/Cebrap e do Poder360 mediram entre 42,2 mil e 48,8 mil pessoas no mesmo ato. Para este ano, o PL mirava 100 mil manifestantes, mais do que o dobro.
O que acontece agora
Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, têm até esta sexta-feira (11) para se manifestar sobre o caso das mensagens. Só depois disso, Fachin decide se leva o episódio a sessão aberta ou fechada.
No segundo processo, os dez dias úteis combinados entre a resposta de Gonet e a de Mendonça empurram qualquer decisão para depois de 22 de setembro.
O ponto em aberto
O calendário que Fachin desenhou faz qualquer desfecho da crise sair a só 12 dias do primeiro turno.
A mesma corte que aceita um inquérito de sete anos sem prazo para fechar agora decide, sozinha, o ritmo da própria crise interna. A pergunta que fica é se ela julga a si mesma com a urgência que cobra dos casos que analisa.



















































