O Banco Master fabricou cerca de 2.700 procurações falsas para sustentar operações de crédito vendidas ao Banco de Brasília (BRB), segundo relatório da Polícia Federal com sigilo levantado no domingo (13) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Funcionários do banco usaram a ferramenta de mala direta do Word para produzir os documentos em massa.
As operações entre os dois bancos somaram R$ 47,78 bilhões, dos quais R$ 31,74 bilhões foram vendas de carteiras de crédito repassadas ao BRB.
A PF já havia apontado que a compra de R$ 17,5 bilhões em créditos do Master pelo BRB teve fraude. O novo relatório detalha como os documentos que sustentaram parte dessas operações foram produzidos.
A Polícia Federal atribui a fabricação dos documentos a cinco funcionários do banco.
São eles o gerente Allan da Silva Machado, a funcionária da tesouraria Romy Goerck Gentina Klenquen, o coordenador de controles Fabrizio Pereira Alencar, o diretor Alberto Felix de Oliveira Neto e o profissional de tecnologia Moacir Lourenço da Silva Junior.
Como o esquema funcionava
O esquema usava a ferramenta de mala direta do Word para preencher automaticamente 2.700 procurações com dados de clientes do CredCesta, o programa de crédito consignado do Master. Parte dos documentos, 1.785 procurações, foi enviada ao BRB como prova de créditos originados pela empresa Tirreno.
A área de tecnologia do banco também usou scripts para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em massa a partir de CPFs extraídos de bases de dados antigas. Segundo a PF, os arquivos das procurações ficavam reunidos numa pasta chamada "Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras".
Sem essa documentação fabricada, o Master não teria como comprovar ao BRB que os créditos vendidos eram legítimos.
Em mensagens internas obtidas pela PF, a funcionária Romy Klenquen avisou que seria impossível ajustar manualmente os 2.700 comprovantes gerados pelo sistema.
Tem que dar um jeito
respondeu o gerente Allan da Silva Machado, dando início à produção em mala direta das procurações.
Funcionários também apagaram datas e horários de termos de consentimento para esconder inconsistências. Um dos documentos analisados pela PF estava datado de 21 de janeiro de 2025, mas foi assinado eletronicamente só em 20 de junho daquele ano.
"Precisamos excluir a data", orientou Machado em outra mensagem interna, segundo o relatório da PF.
O que acontece agora
O Banco de Brasília diz ser vítima do esquema. Em nota divulgada no sábado (12), o BRB afirmou que renovou a direção executiva e contratou o escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice com apoio da consultoria Kroll para uma auditoria forense independente.
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, não se manifestou sobre o novo relatório até a publicação desta reportagem. Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, que recebeu propina do banqueiro, seguem em prisão preventiva.
O caso Master é descrito como o maior escândalo de fraude bancária do país, iniciado no fim de 2025 com a liquidação do banco pelo Banco Central. O rombo é hoje considerado o maior da história do país.
O ministro André Mendonça segue como relator do caso no STF. A Polícia Federal também apura a rede de contatos do banqueiro, incluindo a recusa do senador Jaques Wagner em entregar as senhas dos celulares apreendidos pela corporação.








































































