Desde a redemocratização, em 1989, o candidato mais votado em Minas Gerais venceu toda eleição presidencial do Brasil. O estado tem o 2º maior colégio eleitoral do país, com 16,4 milhões de eleitores, atrás apenas de São Paulo, e reflete o eleitorado do país.
O dado é do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Minas responde por 10,32% do eleitorado nacional, atrás só de São Paulo, que concentra 34,1 milhões de eleitores e 21,48% do total. O Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em outubro.
Por que o eleitor mineiro pesa tanto na eleição?
Mara Telles, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que o estado não decide sozinho uma eleição, mas é um dos que melhor reproduzem a composição do eleitorado brasileiro.
"Eu evito falar da ideia de um chamado eleitor mineiro, porque há várias Minas", diz a professora.
Segundo Telles, o eleitorado do estado é heterogêneo, "com diferenças muito fortes a serem destacadas entre capital, região metropolitana, interior e regiões economicamente distintas". Essa mistura, argumenta ela, é o que aproxima Minas do retrato nacional.
A professora também aponta um traço prático no eleitor mineiro. "O eleitor mineiro é muito pragmático. Quando a gente agrega todos os dados de Minas, usualmente os governadores são próximos ideologicamente do presidente eleito", afirma Telles.
A lógica, segundo ela, é de interesse direto.
"É olhar, ver qual é o presidente mais competitivo e pensar: 'Se adversários formos do governo federal, Minas perde recursos'", resume a cientista política.
O que o candidato precisa fazer para vencer em MG?
Raphael Veleda, diretor da sucursal do Metrópoles em Minas Gerais, diz que vencer no estado exige dialogar com públicos muito diferentes dentro da mesma fronteira estadual.
"Ele tem que dialogar com o homem do campo, o homem da cidade, com a mineração, com o ecoturismo, com realidades realmente super distintas", afirma Veleda.
A disputa por Minas em 2026 já mobiliza a política estadual. Legendas mineiras vivem a disputa entre nomes da direita mineira em torno do governo do estado, enquanto a corrida pelo Senado no estado segue indefinida.
No plano nacional, pesquisas recentes mostram a corrida presidencial apertada, com variações de vantagem entre os principais nomes a poucas semanas da votação.
É nesse cenário que o padrão histórico mineiro volta a ser observado por analistas. Quem vencer em Minas tem, até aqui, vencido sempre o país.
O que acontece agora
A explicação sobre o peso eleitoral de Minas Gerais integra a série "Na Boca da Urna", que o Metrópoles publica às quartas-feiras com temas em alta no processo eleitoral.
O próximo vídeo, na semana seguinte, deve tratar de como a segurança pública virou pauta prioritária para os candidatos em 2026.





























