Uma pesquisa Datafolha divulgada neste mês mostra que 76% dos brasileiros consideram que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm poder excessivo. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre 8 e 10 de setembro, durante a disputa pública entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

A pesquisa foi contratada pela Folha e pela TV Globo e está registrada no TSE (BR-01833/2026). O resultado é praticamente igual ao de abril, quando 75% dos entrevistados já viam poder excessivo no STF, antes de a disputa entre Moraes e Mendonça vir a público.

A disputa entre os dois ministros se intensificou em 1º de setembro, quando Mendonça divulgou um relatório sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso por suspeita de fraude. O caso está hoje sob a relatoria do ministro Edson Fachin.

O nome de Vorcaro também aparece em outra frente da investigação. A Polícia Federal apura que ele pagou R$ 146,5 milhões em propina a um ex-presidente do BRB. O episódio ajuda a explicar por que o caso ganhou peso simbólico na crise institucional.

A pesquisa também revela uma leitura dividida sobre o Supremo. 71% consideram o STF essencial à democracia, mas 77% dizem que a confiança no tribunal caiu. A crise dominou o noticiário sem, até aqui, mudar a opinião que o eleitor já tinha sobre o Supremo.

O escândalo mudou a intenção de voto?

Para a maioria dos entrevistados, não. Segundo o Datafolha, 85% não mudaram o voto para presidente por causa do caso que envolve Moraes, e 86% deram a mesma resposta sobre a investigação que atinge Mendonça.

Nos dois casos, cerca de 7% dos entrevistados disseram ter sentido dúvida sem chegar a mudar de posição, e uma fatia pequena, entre 2% e 4%, afirmou ter alterado o voto de fato.

Quantos querem afastar os ministros do STF?

O apoio a uma medida direta é minoritário, mas relevante. Segundo o Datafolha, 37% apoiam afastar Mendonça temporariamente do STF, e 34% querem afastar Moraes pela mesma via, ambos no centro da disputa mais recente da Corte.

A rejeição ao poder do STF também varia por perfil político. Entre eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022, 85% veem poder excessivo nos ministros, contra 67% entre os que votaram em Lula.

A investigação sobre o Banco Master, pano de fundo da crise entre Moraes e Mendonça, teve outro desdobramento. Wagner recusou entregar as senhas do celular à Polícia Federal no mesmo caso.

O ponto em aberto

A estabilidade dos números sugere que a crise não mudou a imagem do STF. Os índices repetem os de abril, antes de a disputa entre Moraes e Mendonça surgir. Falta saber se isso resiste ao processo sobre Moraes e Vorcaro, hoje sob relatoria de Fachin.