A Polícia Federal aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pagou US$ 38 mil por um serviço de guia VIP nos parques da Disney e da Universal, em Orlando. O valor, cerca de R$ 200 mil na época, beneficiou o ex-diretor do BC Paulo Sérgio Neves de Souza, que viajou com a família em fevereiro de 2024.

A investigação também mira Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Segundo a PF, ele recebeu R$ 500 mil por mês de Vorcaro, em transferências que somam R$ 3,8 milhões, sob a justificativa de um programa de treinamento financeiro para jovens.

Para a Polícia Federal, os dois servidores "atuaram de forma recorrente na defesa e promoção de interesses privados" de Vorcaro. A corporação lista os pagamentos elevados a Belline e os contatos frequentes de Paulo Sérgio com o banqueiro como indícios de troca de favores.

As conversas também tratavam de assuntos internos do Banco Centrala instituição que deveria fiscalizar o próprio Master.

"A oferta ocorreu após saber que o servidor viajaria com os filhos", disse Vorcaro à Polícia Federal.

Segundo o banqueiro, a contratação do guia "fazia parte de uma estrutura que já utilizava para atividades de marketing e relacionamento". Ele nega que o gesto tivesse o objetivo de obter favorecimento ou influência dentro do Banco Central.

Já a defesa de Paulo Sérgio afirma que ele pagou parte da viagem do próprio bolso, US$ 8 mil, por um pacote de acesso prioritário aos parques, e nega irregularidade.

É a primeira vez que a apuração sobre o Master detalha benefícios pessoais recebidos por quem deveria fiscalizar o banco, e não apenas o rastro financeiro da empresa.

Até aqui, as descobertas da PF miravam a compra da instituição pelo BRB e o histórico de sigilo no STF em torno do caso.

O caso é mais um capítulo da crise do rombo de R$ 56 bilhões que tomou o Banco Master. Nesta mesma semana, a PF apurou que a compra de R$ 17,5 bilhões da instituição pelo BRB também envolveu fraude.

A Polícia Federal não indiciou Vorcaro nem os dois ex-diretores do BC até a divulgação do relatório. Segundo a corporação, os indícios reunidos ainda serão analisados pela Justiça, na esteira da disputa sobre o sigilo de processos do caso Master no STF.