A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta segunda-feira (14) o fim do sigilo de uma petição sobre pagamentos ligados a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Alexandre de Moraes citou o documento como necessário para a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para terça-feira (15), que vai analisar mensagens trocadas entre o ministro e o banqueiro.
A petição, registrada como Pet 15.645, foi aberta a pedido do próprio Moraes no domingo (13). Nesta segunda, a PGR se manifestou a favor de retirar o sigilo. Falta agora o presidente do STF, Edson Fachin, autorizar a medida antes da sessão.
O vice-procurador-geral Hidenburgo Chateaubriand, que respondeu pela PGR, disse que o órgão não tinha conhecimento prévio do processo e que a petição sequer estava visível no sistema do STF. Moraes chamou o conteúdo de "elementos essenciais".
O que a sessão de terça vai decidir?
A sessão extraordinária começa às 10h de terça e tem transmissão pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo canal do STF no YouTube. O plenário vota se a ordem que aprofundou a análise do celular de Vorcaro foi regular.
Os ministros também decidem se o material obtido pode ser usado nas investigações e se todo o processo deve ser anulado, pedido apresentado pela própria PGR.
A origem está numa decisão de André Mendonça, relator da petição 16.662. Em 24 de agosto, ele pediu à Polícia Federal dados atualizados sobre o Banco Master, mirando uma rede de influência atribuída a Vorcaro. A PF entregou um relatório de 218 páginas.
Foi nesse relatório que a PF encontrou, no celular de Vorcaro, um contato salvo como "Alexandre de Moraes Brasília", repassado por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, em dezembro de 2023.
Em abril de 2024, Vorcaro escreveu sobre preparar um "evento superexclusivo com Alexandre de Moraes em Londres". Em novembro, disse à filha que estava "com Alexandre Moraes".
Pouco antes da primeira prisão, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro mandou a mensagem: "Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online".
A leitura do episódio divide os lados. Mendonça argumenta que os dez ministros do STF precisam ver os novos elementos. Já a PGR pede a anulação, alegando que a ordem mirou outro ministro da Corte sem passar pela Presidência nem pelo plenário.
Fachin, que assumiu a relatoria do processo na semana passada, suspendeu a tramitação até o julgamento de terça e determinou que casos envolvendo ministro da Corte passem antes pela Presidência.
A sessão pode redefinir se uma investigação que esbarra em ministro do próprio STF precisa de rito diferente do de qualquer outro investigado, questão que está por trás dos três itens da pauta.
Há uma coincidência de calendário. Vorcaro também tem depoimento marcado à Polícia Federal para terça, sobre o Banco Master e operações com o Banco de Brasília (BRB). Advogados dele devem pedir novo adiamento, alegando falta de acesso a documentos. Seria o segundo adiamento da oitiva.
O que acontece agora
Até lá, o próximo passo é de Fachin, que precisa autorizar ou não a retirada do sigilo e distribuir o material aos ministros. O caso já levava outros ministros a cobrar acesso ao conteúdo do celular de Vorcaro antes da sessão.











































































