A crise entre os ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça, deflagrada por mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e supostamente endereçadas a Moraes — que nega tê-las recebido —, virou combustível para o ato desta segunda-feira (7), feriado da Independência. Convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o protesto começa às 15h na Avenida Paulista, em São Paulo, com o lema "Fora Lula, Fora Moraes".
O que motivou a crise
O conteúdo veio a público em 1º de setembro, depois que Mendonça retirou o sigilo do processo que o continha.
Segundo reportagem do jornal Estadão, replicada pelo Migalhas, o banqueiro teria pedido que Moraes atuasse junto a duas autoridades para conter o avanço das investigações sobre o Banco Master. Os destinatários seriam o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em nota incluída por determinação do presidente do STF, Edson Fachin, Moraes negou ter recebido mensagens de Vorcaro. Não há, até agora, decisão de qualquer instância que confirme a autenticidade ou o recebimento das mensagens.
A Corte já discutia o caso antes disso. Dias atrás, o plenário ficou dividido, 4 a 3, sobre investigar o próprio Moraes, com desempate da ministra Cármen Lúcia. É a maior crise institucional do STF desde a redemocratização, descreve o portal NC News.
O ato na Paulista e o contraste com Brasília
O protesto na Avenida Paulista às 15h tem à frente Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha dele. Marinho classificou a ação de Moraes contra Mendonça como "abuso de poder".
Estão confirmados também Michelle Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas, o deputado Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia, entre outros nomes ligados à convocação.
"Master não cria a pauta do 7 de Setembro, mas oferece combustível novo", afirmou o cientista político Elias Tavares. Ele completou o raciocínio sobre o efeito do ato:
Manifestação não abre impeachment sozinha, mas pode aumentar muito o preço político.
O protesto ocorre em meio a um escrutínio mais amplo sobre o Banco Master. O vice-presidente Geraldo Alckmin pediu a investigação de doações da instituição ao governador Tarcísio, um dos nomes confirmados no ato paulista.
Em Brasília, Lula (PT) participou do desfile cívico-militar oficial na Esplanada dos Ministérios, iniciado às 9h, sem discurso e com a orientação de manter as cores verde e amarelo e distância de símbolos partidários.
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O desgaste de Moraes é explorado abertamente pela oposição no ato: o lema "Fora Moraes" e a presença do coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro na convocação colocam o tema no centro da pré-campanha, a menos de um mês do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
O que acontece agora
Fachin deu prazo até esta sexta-feira (11) para que Mendonça, o próprio Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos formais sobre o episódio ao STF.
O resultado dessas explicações deve definir se a crise avança para um rito disciplinar dentro da Corte ou se esvazia nos próximos dias. O horário eleitoral gratuito, enquanto isso, segue até 1º de outubro, véspera da votação.



















































