Tarcísio de Freitas (Republicanos) faltou a dois dos três debates marcados com Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo, a menos de duas semanas do primeiro turno de 2026. O único confronto direto ocorreu em 9 de agosto, ainda na pré-campanha.

Segundo análise publicada pela CNN Brasil, o debate de agosto durou mais de duas horas e teve embate direto sobre segurança pública, educação, saneamento e transporte. Foi o único momento em que os dois principais candidatos discutiram propostas lado a lado neste ano.

Um dos debates seguintes foi cancelado. O outro, promovido pela Record nesta segunda (21), virou entrevista de 30 minutos com Haddad diante da ausência do governador.

"Em uma eleição com apenas dois candidatos com pontuação elevada, essa decisão é ruim para a democracia porque sonega ao eleitor a oportunidade de comparar", disse Haddad.

A campanha de Tarcísio afirmou que a ausência busca conciliar a agenda eleitoral com as responsabilidades de governador. Segundo nota citada pelo Brasil de Fato, os temas centrais da disputa "têm sido debatidos diariamente ao longo da campanha", mesmo fora dos palcos de TV.

Por que os candidatos evitam o debate?

Debate a dois eleva o risco de quem lidera as pesquisas, segundo o cientista político Leonardo Paz Neves, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Quanto mais nomes no palco, maior a chance de ataques de candidatos com pouca chance de vitória.

"Se o Tarcísio vai no debate do primeiro turno, ele não debate só com o Haddad, ele vai ter que debater com um monte de gente", disse Paz Neves.

Em 2022, o então candidato Padre Kelmon, hoje no PL, usou esse tipo de palco para atacar Lula como aliado declarado de Jair Bolsonaro (PL).

A diferença de formato marca a mudança em relação à disputa anterior. Em 2022, Tarcísio e Haddad participaram de todos os debates de TV e rádio ao lado de outros postulantes ao governo paulista.

Neste ano, os convites têm priorizado só os dois favoritos, o que reduz o número de vozes no palco e também o risco de imprevistos.

O ritmo de gastos também mostra a aposta de cada campanha: Tarcísio já usou 88% do teto de campanha permitido no primeiro turno, quase o dobro da fatia gasta por Haddad até o mesmo levantamento do TSE.

O que acontece agora

O próximo debate está marcado para a próxima terça-feira (29). Ainda não está confirmado se Tarcísio vai comparecer desta vez.

Antes disso, Haddad já prometeu rever contratos de concessão assinados pela gestão Tarcísio caso vença a eleição — promessa que ele detalhou na sabatina da Record, na segunda-feira (21).