O ministro do STF Gilmar Mendes disse neste sábado (19) que integrantes do TSE que agirem com partidarismo devem "repensar a permanência" na Corte Eleitoral. A declaração, feita em rede social, ocorre em meio à crise entre ministros do Supremo.
Em post na rede social X, Gilmar classificou como grave o risco de politização vindo de dentro da própria Justiça Eleitoral.
Grave é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer.
Atualmente, o TSE é presidido por Kássio Nunes Marques, com André Mendonça na vice-presidência. Os dois integram o STF e protagonizaram, na sessão de terça-feira (15), um bate-boca público com o decano. Os dois lados entraram em rota de colisão aberta dentro do Supremo.
O que motivou o embate entre os ministros
O racha tem origem no caso do Banco Master. Mendonça retirou o sigilo de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador da instituição, o que expôs a divisão entre os colegas de Corte.
Mendonça votou, com apoio de Nunes Marques e Luiz Fux, pela abertura de investigação contra Moraes, citando diálogos que a PF considerou suspeitos. O grupo de Gilmar, que inclui Dino e Zanin, acusa Mendonça de favorecer com a relatoria o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
Dois dias antes do novo post de Gilmar, Mendonça já havia reagido, em nota, às críticas do decano feitas durante a sessão de terça (15).
"Não transformei o plenário em palanque ou picadeiro, aos gritos, para tentar mascarar argumentos vazios e sem qualquer fundamentação jurídica minimamente aceitável", afirmou Mendonça, em nota. Segundo ele, a divergência é legítima num tribunal colegiado, mas é ilegítimo tentar constranger o julgador.
Gilmar também citou o relatório da Abin que elevou a risco "crítico" a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições de outubro, dizendo que esse risco externo é menos grave que a politização interna da Justiça Eleitoral.
A disputa também chegou ao Congresso: o deputado Nikolas Ferreira pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que afaste o procurador-geral Paulo Gonet do caso, ampliando a pressão política sobre a Corte.
O impasse ocorre dias depois de Mendonça e Fux dizerem à PF que não acessam o celular de Vorcaro, um dos pontos centrais da investigação sobre o Banco Master.
A crise já afeta a imagem da Corte. A desconfiança no STF chegou a 56%, mostra pesquisa recente do instituto Quaest, recorde da série histórica.





























































































































