O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, homologou a delação premiada de João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos, na sexta-feira (6 de novembro), no âmbito do caso Banco Master. O acordo tem 17 anexos e prevê multa de R$ 40 milhões.

Mansur é fundador e ex-presidente da Reag, liquidada pelo Banco Central por "graves violações" ao Sistema Financeiro Nacional. Ele foi alvo de busca e apreensão em janeiro, na Operação Compliance Zero, que apura fraudes do Master e tentativa do BRB (Banco de Brasília) de comprá-lo.

Segundo o Brasil247, o acordo tem 17 anexos com relatos sobre suspeitas de crimes financeiros e prevê multa de R$ 40 milhões para Mansur. As estruturas da gestora teriam sido usadas para retirar recursos do Banco Master.

Mansur identificou "pessoas que figuravam formalmente como cotistas de fundos, mas atuavam em nome do banqueiro" Daniel Vorcaro, fundador do Master, segundo o mesmo levantamento.

A relação comercial entre a Reag e o Banco Master começou em 2019. Há suspeita de uso de laranjas e offshores na movimentação dos recursos, e a PGR pediu urgência na homologação em 25 de outubro.

Outra apuração do caso aponta cerca de R$ 2,2 bilhões bloqueados no âmbito das investigações do Banco Master, segundo o Brasil247.

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Por que foi Fachin, e não Mendonça, quem decidiu

O acordo de Mansur havia sido fechado em setembro e enviado primeiro ao ministro André Mendonça, relator original do caso Banco Master no STF, segundo mostrou a TV Sim Brasil em setembro.

Fachin assumiu a condução do caso no fim de outubro, quando devolveu a Mendonça apenas o processo do INSS e manteve o Master sob sua própria relatoria.

A homologação formaliza a primeira colaboração premiada do caso e abre caminho para que a PGR e a Polícia Federal usem o material de Mansur contra outros investigados.

O que acontece agora

O conteúdo da delação segue em segredo de Justiça, e a PGR não informou se vai oferecer denúncia contra outros nomes citados por Mansur até a publicação desta matéria.

Vorcaro segue preso desde agosto no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. O cunhado dele permanece detido depois de Fachin negar a soltura na sexta-feira (6 de novembro).