A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, divulgou nota nesta quarta-feira (30) negando que ele tenha praticado ou determinado qualquer "ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça". O texto veio após o depoimento de Vorcaro à Polícia Federal.
Vorcaro depôs por videoconferência a partir de Brasília, onde está preso.
Segundo os advogados, o depoimento esclareceu que Vorcaro conhecia apenas um integrante do grupo apontado pela PF como "A Turma". Tratava-se de Luiz Philippi Mourão, o "Sicário", morto após ser preso na Operação Compliance Zero em março.
A relação, diz a nota, era um "contrato formal e lícito" de serviços de inteligência e segurança digital.
"Ressalta-se que, após oito meses de investigações, não há nenhuma vítima dos supostos fatos citados na portaria inaugural do inquérito policial", diz a nota assinada pelos advogados Sérgio Leonardo, Engels Muniz e Daniel Bialski.
A defesa também voltou a pedir a soltura de Vorcaro. Argumenta que ele está preso há quase um ano sem acusação formal ou denúncia, e cita entendimento do STF para que aguarde o fim das investigações em liberdade, mediante condições.
O que disse o pai de Vorcaro à PF?
Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, negou nesta quarta ter comandado ou transmitido ordens à "Turma". A defesa dele classificou a prisão, que já dura 110 dias, como "excessiva e desnecessária".
A PF vê Henrique como principal operador financeiro da estrutura e aponta que ele seria solicitante e beneficiário de serviços ilícitos, segundo o inquérito.
Os advogados reconhecem relações comerciais com três pessoas investigadas, mas dizem que os vínculos começaram em 2021, antes das suspeitas contra o filho.
Henrique foi ouvido dentro do presídio em Contagem (MG), sem a presença de advogado. A defesa afirma que havia pedido ao STF autorização para acompanhar a oitiva, mas que o pedido não foi analisado a tempo.
Os advogados também criticaram a Procuradoria-Geral da República por não responder a requerimentos. Reclamaram ainda da demora do relator do caso, ministro André Mendonça, em analisar os pedidos já apresentados.
É a mesma linha do pedido de soltura que Henrique e um primo de Daniel fizeram ao STF há cerca de uma semana.
Henrique foi preso em maio, na sexta fase da Operação Compliance Zero. A prisão foi mantida pela Segunda Turma do STF por três votos a um: o ministro Gilmar Mendes divergiu e defendeu a substituição por medidas cautelares, mas ficou vencido.
O que acontece agora
A PF trata os depoimentos desta quarta como etapa final antes de fechar um dos inquéritos do caso. Não há prazo anunciado para a conclusão, e as defesas podem pedir novas diligências depois de ouvidas as perguntas dos delegados.
O caso já passou por pedidos de soltura recusados e cobranças por demora do relator. Em setembro, a defesa de Henrique já cobrava explicações após 90 dias de prisão sem revisão; agora são 110.
Mais cedo nesta quarta, a PF já havia detalhado as suspeitas sobre "A Turma" e "Os Meninos" que levaram aos depoimentos de hoje.




























































































































































