O Supremo Tribunal Federal usou, em 2021, mensagens obtidas ilegalmente por um hacker para declarar suspeito o então juiz Sergio Moro. Cinco anos depois, mensagens periciadas legalmente pela Polícia Federal não bastaram para a Corte abrir uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes.
O caso de 2019 ficou conhecido como Vaza Jato: um hacker publicou diálogos entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol combinando estratégias contra investigados da Lava Jato, entre eles o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ministros como Gilmar Mendes classificaram o material como muito grave à época. Em 2021, a 2ª Turma declarou Moro suspeito no processo de Lula, decisão confirmada pelo plenário; as condenações do petista foram anuladas.
Por que o caso de Moraes é diferente?
O celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master preso em novembro de 2025, foi apreendido e periciado pela Polícia Federal, não hackeado. Em 1º de setembro, a PF divulgou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes sobre a estratégia de defesa do ministro.
As conversas também citam contratos entre empresas de Vorcaro e a mulher de Moraes, Viviane Barci, tema que já rendeu reportagem sobre uma chave Pix ligada ao escritório dela. Os valores somados podem chegar a R$ 158 milhões, segundo o Poder360.
Moraes nega ter recebido as mensagens. Ele repetiu a negativa em ofício enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, no início de setembro.
A diferença central entre os dois episódios está na origem da prova: uma veio de invasão ilegal, a outra de perícia autorizada pela Justiça.
O que trava a investigação?
Ministros como Gilmar Mendes defendem adiar a análise do caso e questionam as motivações por trás do pedido de investigação. Flávio Dino e Cristiano Zanin também se posicionaram contra abrir apuração sobre Moraes.
Do lado favorável está o relator André Mendonça, que encaminhou o pedido para apurar o caso.
Em 28 de setembro, quase duas semanas depois de o plenário ter sido convocado para julgar a crise, Gilmar apresentou uma questão de ordem que suspendeu de novo a análise.
O que acontece agora
O julgamento sobre abrir ou não a investigação segue suspenso, sem data para retomar, enquanto a Corte discute o que fazer com a menção a outros magistrados nas conversas de Vorcaro.
A crise já desgastou a imagem das duas instituições: mais de 60% dos brasileiros reprovam o desempenho do Congresso e do STF em meio ao caso, segundo pesquisa recente sobre a crise.


























































































































































