Um livro do ex-agente Jorge Chastalo Filho registra que Lula (PT) chamou Sergio Moro e Deltan Dallagnol de "braços dos americanos" durante os 580 dias em que ficou preso em Curitiba. Segundo o relato, o petista disse que os EUA queriam "escravizar" a América Latina.
A informação é do Poder360.
As declarações estão no livro "Banho de Sol - os 580 dias de Lula na prisão", com prefácio do jornalista Juca Kfouri. A obra reúne anotações do autor, que custodiou Lula na Superintendência da PF em Curitiba entre abril de 2018 e novembro de 2019.
"O Moro e o Dallagnol só podem ser braços dos americanos por aqui, o Trump quer dominar completamente a América Latina. Os americanos querem que a América Latina seja seu quintal, sua despensa. E, para isso, pretendem acabar com a esquerda, porque a esquerda percebe essa intenção com clareza e combate a tentativa dos Estados Unidos de escravizar a América Latina."
A fala consta de uma conversa registrada em janeiro de 2019, com a presença do ex-ministro Aloizio Mercadante e do deputado Rui Falcão (PT-SP). Na mesma conversa, Lula criticou apoiadores de Donald Trump no Brasil.
"Enquanto a tal direita puxa o saco e baba ovo do Trump. Eles não percebem que os Estados Unidos nunca, mas nunca irão renunciar ao conforto deles para alimentar uma criança latina", disse o petista.
Outra anotação do livro, de 7 e 8 de setembro de 2018, registra Lula comentando uma conversa com o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama sobre o uso do dólar no comércio internacional. O encontro com Chastalo também ocorreu durante a custódia em Curitiba.
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Na mesma conversa, Mercadante avaliou que seria mais fácil fazer oposição a Moro após o ex-juiz deixar a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro. Lula respondeu que Moro virou "presa fácil" e defendeu concentrar as críticas em Dallagnol.
O que dizem Moro e Dallagnol
Procurados pelo Poder360 para comentar o livro, Sergio Moro recusou-se a falar sobre "supostas declarações de Lula citadas por terceiros". Deltan Dallagnol respondeu que se dedica ao "combate à corrupção" e à recuperação de recursos desviados.
O livro também registra que Lula declarou o objetivo de atingir a carreira e a reputação de Moro e Dallagnol. Segundo a obra, o petista disse não aceitar que o procurador tivesse classificado o PT como uma "quadrilha de ladrões".
O trecho reproduz avaliações feitas por Lula na conversa e não traz comprovação independente de que os dois agissem a mando dos Estados Unidos.
O que acontece agora
O livro chega a público num momento de disputa política renovada entre os dois lados. Dallagnol foi eleito senador pelo Paraná em outubro, e o PT já estuda questionar o mandato dele desde o dia seguinte às urnas.
Na mesma eleição, Flávio Bolsonaro escalou o novo senador para analisar sigilo de Lula.
O partido avalia questionar o mandato do senador eleito por decisões tomadas à frente da força-tarefa da Lava Jato.
Moro, por sua vez, liderou uma carreata por Flávio Bolsonaro em Curitiba durante o 2º turno de outubro.






























