A 14ª Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, realizada em Brasília, premiou, na sexta-feira (6 de novembro), o projeto Território-Parque, único brasileiro laureado e voltado ao Córrego do Feijão, bairro de Brumadinho (MG) atingido pelo rompimento da barragem da Vale em 2019.

O rompimento da barragem, em janeiro de 2019, abreviou a vida de pelo menos 272 pessoas, três anos após outra tragédia semelhante, em Mariana (MG).

Definitivamente, não é o mercado que vai solucionar a questão da moradia.

"É preciso pensar em novas formas de financiamento e de gestão de espaços que são continuidades do espaço doméstico, onde a vida em comum acontece", completou o arquiteto Fernando de Mello Franco, durante a Bienal, segundo a Folha.

O Território-Parque não envolve moradias. O projeto prevê praças, vias e edificações de uso coletivo, além da escola municipal de Brumadinho, com um mercado, uma padaria e uma cozinha geridos pela própria comunidade.

Assinam o projeto os arquitetos Fernando Maculan e Mariza Machado Coelho, da MACh Arquitetos, de Belo Horizonte, em parceria com o escritório colombiano Connatural y Paisaje, de Medellín.

"Uma premiação como essa tem um reflexo importante para a comunidade. Eles vão se ver um pouco mais fortalecidos e vão se reconhecer também como ganhadores desse prêmio", disse Maculan à Folha.

Como foi a Bienal

O evento ocorreu de 3 a 6 de novembro, no Teatro Nacional e no antigo prédio do Touring Club do Brasil, projetado por Oscar Niemeyer. Ao todo, 12 trabalhos foram reconhecidos: seis em Obras e seis em Publicações, mais cinco menções honrosas.

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A Bienal também concedeu o Prêmio Trajetória a três nomes: o português Gonçalo Byrne, a urbanista brasileira Ermínia Maricato e o peruano Frederick Cooper Llosa. O prêmio reconhece arquitetura que responde a uma tragédia com espaço público, não moradias isoladas.

O que acontece agora

Não há, até a publicação desta matéria, data divulgada para o início das obras previstas pelo projeto. O governo de Minas Gerais, porém, já reforça a rede de assistência na cidade: firmou acordo com a Justiça para centros de atendimento à mulher em Brumadinho.

Brumadinho segue também na Justiça: o STF julga multa de R$ 86 milhões imposta à Vale por irregularidades ligadas ao rompimento, enquanto moradores atingidos recorrem ao STF contra exigência de caução para receber auxílio da mineradora.