O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o pai, Henrique Vorcaro, prestam depoimento nesta quarta-feira (30) à Polícia Federal sobre "A Turma" e "Os Meninos", grupos que a PF suspeita terem intimidado adversários, atacado jornalistas e invadido sistemas para proteger o banqueiro.
Daniel depõe às 14h, por videoconferência, do 19º Batalhão da Polícia Militar em Brasília, onde está detido. Henrique depõe às 16h, da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG).
Os interrogatórios já haviam sido adiados depois de as defesas alegarem, cerca de duas semanas atrás, que não tinham acesso aos autos. A defesa de Daniel diz ter recebido o conteúdo das investigações sobre "A Turma" na sexta-feira (25) e conseguido se preparar.
O que a PF investiga em cada grupo?
Segundo a PF, "A Turma" funcionava como braço armado de Daniel Vorcaro, encarregado de intimidar adversários e atacar jornalistas. "Os Meninos" tinham perfil tecnológico, com ataques cibernéticos, invasões e monitoramento ilegal de telefones.
A corporação suspeita que integrantes tenham invadido sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e da Interpol, repassando informações sigilosas a Vorcaro antes mesmo de elas avançarem nas investigações.
Com os dois depoimentos, os delegados pretendem concluir um dos inquéritos em andamento no caso, ligado ao colapso do Banco Master. O ministro André Mendonça, relator no STF, determinou a prisão preventiva de pai e filho.
Henrique Vorcaro nega envolvimento com o grupo. Em carta a Mendonça, com cópia aos demais ministros, contesta a leitura da PF sobre mensagens ligadas ao esquema e diz que os valores citados eram pagamentos de empreendimentos.
"Se pagavam alguém ou se usavam esse recebimento para qualquer turma ou pessoa, eu não tenho simplesmente nada a ver com isso, não conheço nem sei de turma nenhuma", escreveu Henrique na carta.
O pai tenta se descolar do filho no processo: diz que Daniel sequer o incluía nos negócios do banco. É a mesma linha de defesa de um pedido de soltura que Henrique e um primo de Daniel fizeram ao STF na mesma semana.
Daniel também contesta a prisão. A defesa dele já pediu ao STF o fim da prisão preventiva no caso que derrubou o Banco Master e chegou a abalar a relação entre ministros da Corte.
O que acontece agora
A PF trata os depoimentos desta quarta como a etapa final antes de fechar o inquérito. Não há prazo anunciado para a conclusão, e a defesa de Daniel ainda pode pedir novas diligências depois de ouvir as perguntas dos delegados.

























































































































































