Uma pesquisa Futura/100% Cidades mostra que 64,4% dos brasileiros desaprovam o Congresso Nacional e 62,6% reprovam o Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento coincide com a crise das mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro preso Daniel Vorcaro.

O instituto Futura ouviu 2.000 eleitores de 16 anos ou mais entre 19 e 23 de setembro, por entrevista telefônica assistida por computador. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para um nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi contratada pelo 100% Cidades e está registrada no TSE sob o número BR-05268/2026. Apenas 27,1% aprovam o Congresso e 27,9% aprovam o STF, segundo o levantamento.

Em um recorte do mesmo instituto, 72% dos entrevistados disseram acreditar que a imagem de Moraes foi a mais afetada pela crise na Corte.

O que está por trás da crise no STF

Um relatório da Polícia Federal sobre o colapso do Banco Master expôs mensagens entre Vorcaro e um celular atribuído a Moraes. O sigilo do documento foi levantado pelo ministro André Mendonça em 1º de setembro.

Segundo o relatório, Vorcaro enviou 28 mensagens ao ministro nas semanas anteriores à sua prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos. Entre elas, pedidos de encontro presencial e um questionamento sobre se deveria fugir do país antes de ser preso.

O documento também registra frases como "gratidão pela minha vida" e "dívida de vida", atribuídas a Vorcaro nas trocas com o ministro. O relatório aponta ainda ao menos nove encontros entre os dois, entre março de 2024 e agosto de 2025.

O documento cita dois contratos: um de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e Vorcaro.

O outro contrato é de R$ 50 milhões com a empresa Viking Participações, com oferta de duas aeronaves como forma de pagamento.

O escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou, em nota, a edição do contrato, mas negou qualquer irregularidade. A nota também refutou a acusação de que cartões de crédito teriam sido emitidos para os filhos do casal.

Moraes já havia negado, em março, ter recebido as mensagens atribuídas a ele.

O caso já rendeu outros capítulos. Um vídeo divulgado nesta semana mostra o ministro em um jatinho ligado a uma empresa de Vorcaro, e o próprio STF chegou a discutir, pela primeira vez, abrir uma investigação contra Moraes.

O que acontece agora

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se manifestem formalmente sobre o caso.

Há hoje 54 pedidos de impeachment contra Moraes protocolados no Senado. Uma pesquisa Datafolha recente mostrou que defender o impeachment já rende voto a candidatos ao Senado na eleição deste ano.