O livro "Killer App", do jornalista britânico Darren Loucaides, reconstrói a trajetória de Pavel Durov e do Telegram, aplicativo que chegou a 1 bilhão de usuários combinando liberdade de expressão com pragmatismo nos negócios. A obra foi publicada pela Faber na quinta-feira (5 de novembro).
Durov nasceu em São Petersburgo, na então União Soviética, e deixou a Rússia depois que forças ligadas ao Kremlin assumiram o controle de sua primeira empresa, a rede social VK.
Ele fundou o Telegram em 2013, ao lado do irmão mais velho, Nikolai Durov, matemático, enquanto os dois ainda trabalhavam na VK.
Loucaides, colaborador da revista Wired, investigou por mais de cinco anos a mística antiautoritária que ajudou o Telegram a crescer. Segundo o autor, o pragmatismo prevaleceu sobre o idealismo na história da empresa.
Durov acreditava que os chefes das plataformas estavam em processo de construção de Estados virtuais, que acabariam por se sobrepor aos governos nacionais. O Telegram seria a materialização dessa visão.
O trecho resume a ambição do fundador, que vai muito além do universo das startups, segundo Loucaides.
Como o Telegram cresce em meio a conflitos
O aplicativo combina mensagens diretas gratuitas, grandes grupos e canais públicos nos moldes de redes sociais, além de jogos, compras e pagamentos.
O Telegram está presente nos dois lados de conflitos ao redor do mundo: é usado pelas forças militares da Rússia e da Ucrânia, e também pelo Hamas e pelas Forças de Defesa de Israel.
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O Telegram já foi bloqueado no Brasil
O aplicativo tem histórico de atrito com a Justiça brasileira. Em março de 2022, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a suspensão do Telegram no país por descumprimento de ordens para bloquear perfis que espalhavam desinformação.
Durov pediu desculpas ao STF, alegou falha de comunicação e pediu prazo para cumprir as exigências. Moraes revogou o bloqueio depois que o Telegram nomeou representante no Brasil e atendeu as determinações pendentes.
O atrito com o Telegram se soma a um histórico maior de tensão entre o Brasil e as grandes plataformas digitais. Um estudo recente apontou o país com a pior transparência de dados entre redes sociais.
O TSE também já reuniu Meta, Google e TikTok para conter deepfakes no 2º turno das eleições de 2026. No WhatsApp, concorrente direto do Telegram no Brasil, mensagem de amigo também convence mais o eleitor do que publicidade paga.
O episódio no Brasil ilustra o padrão que o livro descreve: Durov negocia e recua sob pressão judicial, mesmo cultivando a imagem pública de resistência a governos.






























