As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) caem mais de 20% em duas semanas, mesmo com o petróleo fechando em leve alta na sexta-feira (6 de novembro). O recuo segue a queda de 13% do petróleo na semana, após as eleições nos Estados Unidos.
O petróleo Brent chegou a custar cerca de US$ 118 o barril na terceira semana de outubro, no pico do chamado prêmio de guerra ligado ao conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos.
O barril já havia chegado a US$ 111 em outubro, maior preço em cinco meses. Até o fechamento da sexta-feira (6 de novembro), o preço recuou para a faixa de US$ 98 a US$ 100, queda de 17% frente à máxima de outubro.
Na Bolsa, o efeito foi amplificado. Os ADRs da Petrobras negociados em Nova York acumulam perda de 26% desde o pico de outubro até a quinta-feira (5 de novembro). Os ganhos no ano, que chegaram a cerca de 100%, recuaram para perto de 60%.
O Brent para janeiro fechou a US$ 98,32 na sexta-feira (6 de novembro), alta de 0,03%, na Intercontinental Exchange de Londres. O WTI para dezembro subiu 0,34%, a US$ 90,83, na Nymex. Apesar da alta do dia, os contratos tombaram cerca de 13% na semana.
O que diz o mercado sobre a queda
Para o mercado, a correção das ações foi mais rápida do que qualquer mudança nos fundamentos da Petrobras. Segundo o JPMorgan, que mantém recomendação de compra para o papel, a queda reflete sobretudo o recuo do petróleo, não um problema na operação da estatal.
O banco projeta rendimento de fluxo de caixa livre de 17,5% para a Petrobras em 2027. Já o Morgan Stanley mantém preço-alvo de US$ 31 para os ADRs da companhia, também com recomendação de compra.
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O Goldman Sachs calcula que ainda existe um prêmio geopolítico de US$ 27 por barril embutido no preço internacional do petróleo, o que deixaria espaço para nova queda se a tensão no Oriente Médio arrefecer.
O Itaú BBA acompanha o efeito da queda do petróleo na paridade de preços de combustíveis da Petrobras, que orienta o reajuste da gasolina e do diesel nas refinarias. A companhia havia reportado lucro de R$ 52,4 bilhões no 2º trimestre, alta de 96,8%.
Os números não mudam o diagnóstico por si só, mas ajudam a dimensionar o tamanho da correção.
A ação perdeu, em duas semanas, um quarto do que ganhou no ano.
O que acontece agora
O governo mantém a alíquota de 12% do Imposto de Exportação sobre petróleo bruto até 31 de dezembro, prorrogação decidida pela Camex para conter o repasse da alta internacional aos combustíveis vendidos no Brasil enquanto durar a volatilidade do barril.
A oscilação das ações já vinha sendo monitorada desde o início do mês. O petróleo caiu por três sessões seguidas e já derrubava a Petrobras na Bolsa na quinta-feira (5 de novembro).
Para quem investe na ação, a semana reforça que parte do valor da Petrobras segue o risco de guerra no Oriente Médio, não só o resultado operacional da empresa.
Um comandante de petroleiro relatou uma explosão perto da embarcação no Estreito de Ormuz na sexta-feira (6 de novembro), segundo a agência britânica UKMTO. O emir do Catar e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone sobre as tensões no Oriente Médio.






























