O Senado do Paraguai aprovou na sexta-feira (6 de novembro) o impeachment do presidente Santiago Peña, por 44 votos a favor e nenhum contra. A Justiça decretou a prisão domiciliar dele horas depois, por suspeita de crimes ligados ao colapso do Banco Ueno.
O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência até agosto de 2028.
O Ministério Público paraguaio pediu a prisão preventiva de Peña por "lesión de confianza" (quebra de confiança) e outros crimes econômicos. Segundo a decisão, o ex-presidente deve permanecer em sua residência até ser colocado à disposição da equipe de promotores responsável pela investigação.
O ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo Spalding, e o presidente-executivo do Banco Ueno, Miguel Vázquez, também tiveram prisão decretada no âmbito da mesma apuração.
O que é a crise do Banco Ueno
O Banco Ueno é um banco digital que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai por problemas de solvência, deixando cerca de 3 milhões de clientes, 40% da população do país, sem acesso aos depósitos.
Peña foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025.
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Os protestos contra o governo começaram na terça-feira (3 de novembro). Na quinta-feira (5 de novembro), Peña anunciou renúncia ao cargo para tentar escapar do impeachment, mas o Congresso rejeitou o pedido.
"Apresentei minha renúncia para evitar maior dano ao país", disse Peña ao anunciar a saída do cargo na quinta-feira. Na manhã da sexta-feira (6 de novembro), ele ainda tentou adiar o julgamento no Senado antes de ser destituído.
O que muda para o Brasil
Para o Brasil, a crise pesa sobre a operação da hidrelétrica de Itaipu, que o governo brasileiro já garantiu seguir normal, e sobre a relação com o Mercosul, bloco do qual o Paraguai é sócio fundador.
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, viu na queda de Peña uma chance de o país se afastar de acordos militares com os Estados Unidos e se reaproximar do bloco sul-americano.
Espero que agora o Paraguai seja mais Mercosul.
Peña havia firmado o chamado Escudo das Américas com o governo americano, aliança que críticos no Brasil viam como afastamento do bloco regional. O Itamaraty trata a crise como assunto interno do país vizinho, mas acompanha os desdobramentos de perto.
A margem brasileira de Itaipu não tem recursos aplicados no Ueno, mas o fundo de pensão da Itaipu paraguaia chegou a ter R$ 90 milhões depositados no banco que quebrou.
O que acontece agora
Pedro Alliana, do mesmo partido Colorado de Peña, governa o Paraguai até agosto de 2028, quando o país volta às urnas. A investigação sobre o colapso do Ueno segue em curso no Ministério Público, que já decretou prisão de três pessoas ligadas ao caso.
Não há data prevista para a conclusão do processo penal contra Peña, Carvallo Spalding e Vázquez pelos crimes econômicos ligados ao colapso do banco.






























