A Polícia Federal adiou pela segunda vez em duas semanas o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, marcado para esta quinta-feira (24), depois de a defesa pedir ao menos dez dias para analisar as provas do caso.
O primeiro adiamento já tinha ocorrido em 15 de setembro, pelo mesmo motivo: a defesa alegou não ter acesso integral aos documentos da investigação. Ainda não há nova data marcada.
O que é o grupo "A Turma"?
"A Turma" é uma estrutura clandestina de vigilância e coerção mantida por Vorcaro, que pagava R$ 1 milhão por mês pela operação, chefiada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, tratado nos documentos como "Sicário".
O grupo acessou de forma irregular sistemas do Ministério Público Federal e o ePol, exclusivo da Polícia Federal, além de documentos que citam acesso a organismos como FBI e Interpol.
Quero tudo. Atenção total.
A frase é atribuída a Vorcaro ao exigir mais acesso a informações sobre as investigações contra ele, segundo a Agência Brasil. Um ex-policial federal aposentado, Marilson Roseno da Silva, foi preso em março por facilitar o acesso a sistemas do MPF.

O suposto chefe do grupo, o "Sicário", morreu dias depois de ser preso, em decorrência de uma tentativa de autoextermínio sob custódia da PF, segundo a corporação. Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio emocional, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188.
A dimensão da maior fraude bancária do país
A fraude do Banco Master envolveu cerca de R$ 52 bilhões em dívidas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a maior da história bancária brasileira. O banco operava como uma pirâmide financeira, usando dinheiro de novos investidores para cobrir déficits dos antigos.
O tamanho do rombo supera o de todos os casos anteriores no país: o FGC pagou a maior indenização de sua história, à frente até do caso do banco Bamerindus, nos anos 1990.
Entre 2019 e 2024, o patrimônio do banco saltou de R$ 200 milhões para R$ 4,7 bilhões. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial em 18 de novembro de 2025, um dia antes de a PF deflagrar a operação Compliance Zero.
Depois de sucessivas tentativas frustradas de fechar um acordo de delação premiada, a defesa de Vorcaro passou a contestar as provas da acusação. Enquanto isso, o pai e o primo de Vorcaro pediram a soltura dele ao STF na mesma semana.
O ponto em aberto
O caso expôs uma falha que vai além de Vorcaro: como um grupo particular conseguiu acesso a sistemas do MPF, da PF e, segundo documentos, de organismos internacionais.
O ministro Fux deu 10 dias para o Senado explicar como esse acesso foi possível. No mesmo dia, o STF negou, por ora, uma liminar para instalar uma CPI do Banco Master.
A resposta, quando vier, vai dizer se a falha era de uma pessoa ou do sistema.















































































































































