O pai e o primo de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pediram ao Supremo Tribunal Federal o fim de suas prisões preventivas em pedidos separados nesta semana. Henrique Vorcaro escreveu carta nesta terça-feira (22); Felipe Vorcaro pediu um dia antes.

Henrique, empreiteiro e pai de Daniel, está preso desde 14 de maio, por ordem do ministro André Mendonça. A prisão se baseia em indícios de que ele pagou o grupo "A Turma", que atuava para intimidar adversários do Banco Master, segundo a Polícia Federal.

Preciso da minha reputação e dignidade restauradas, por favor sejam corretos e justos.

Na carta, Henrique nega ligação com o grupo e diz que os pagamentos investigados eram de negócios imobiliários. "Não conheço nem sei de turma nenhuma", escreveu, segundo a CNN Brasil. Ele também relata crises de vertigem, pressão alta e uso contínuo de remédios na prisão.

Felipe Vorcaro, primo de Daniel, pediu um dia antes que o presidente do STF, Edson Fachin, devolva parte do seu processo a Mendonça e revogue sua prisão preventiva. A defesa argumenta que o inquérito contra ele não cita ministros do STF.

A Polícia Federal aponta Felipe como operador de pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que não é réu no processo nem tem denúncia aceita ou condenação contra ele.

Os dois pedidos, de parentes diferentes, buscam o mesmo efeito prático: tirar o processo das mãos do ministro que decretou as prisões.

Os dois casos fazem parte da Compliance Zero, operação que apura fraudes no Banco Master desde novembro de 2025, quando prendeu provisoriamente os principais executivos da instituição, liquidada pelo Banco Central.

O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro, sob o ministro Dias Toffoli, e Mendonça e Fux já disseram à PF que não acessam o celular de Vorcaro.

Pai e filho (Daniel Vorcaro) têm depoimentos marcados para 30 de setembro. Na semana anterior à carta de Henrique, a PGR já havia se manifestado a favor de ele deixar temporariamente o presídio para exames médicos.

O ponto em aberto

Os dois pedidos miram o mesmo alvo processual: a forma como o STF dividiu o caso entre ministros distintos. A defesa de Felipe argumenta que seu processo não deveria estar fora das mãos do relator original.

Henrique não questiona a divisão, mas pede que sua saúde e a falta de acesso aos negócios do filho sejam levadas em conta. Cabe à Corte decidir se algum dos dois argumentos muda o quadro das prisões.