O Banco Master, que ofertava CDBs com juros acima do mercado, foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, quando seu controlador, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal. Dez meses depois, o caso chegou à cúpula do BC: Galípolo, Campos Neto e André Esteves foram intimados a depor.

O banco cresceu emitindo cerca de R$ 50 bilhões em CDBs, lastreados por ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldade. O Fundo Garantidor de Créditos já desembolsou R$ 5,7 bilhões para cobrir os investidores afetados.

Como o esquema funcionava por dentro

As investigações identificam quatro núcleos na fraude: um para estruturar as operações contra o sistema financeiro, um de corrupção para cooptar servidores do Banco Central, e mais dois para ocultação patrimonial e para intimidação de adversários e jornalistas.

O núcleo de corrupção institucional apura suspeita de que Vorcaro pagou propina a dois ex-chefes da supervisão bancária do BC. A troca, segundo as investigações, seria por informações internas sobre a fiscalização do Master.

A Polícia Federal decidiu intimar Galípolo, Campos Neto e Esteves depois que um dos ex-chefes citou os três em depoimento. As intimações não significam que eles sejam investigados. Os três serão ouvidos como testemunhas.

Segundo aliados ouvidos pelo Poder360, Lula chamou a indicação de Galípolo de sua maior "traição política", depois de ele isentar Campos Neto em depoimento à CPI do Master.

A ponte com a crise no STF

Um número salvo no celular de Vorcaro é a mesma chave Pix do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, apurou a BBC News Brasil em relatório liberado pela PF em 1º de setembro.

Reportagens também apontam que Moraes teria editado a versão final de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da mulher e o banqueiro. O escritório afirma, em nota, que consultou o ministro sobre impedimentos e que ele nunca julgou processo envolvendo o Master.

Nem Moraes nem Viviane são investigados ou denunciados por esses fatos, e o STF nega que o contato pertença ao ministro. O caso é apontado como pano de fundo da crise que levou Fachin a tirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.

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Nesta quarta, o presidente Lula cobrou "quebra completa do sigilo" de todos os envolvidos no caso. Ele chamou o episódio de "o maior crime financeiro da história do Brasil".

Para quem investe em CDB, o FGC garante o produto, além de LCI, LCA e poupança, até R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos, valor congelado desde 2017.

Quem tinha mais do que esse limite aplicado no Master corre risco de não recuperar a diferença, mesmo com a liquidação em curso e os recursos do fundo já mobilizados.

O ponto em aberto

Um presidente da República pede quebra total de sigilo. Três nomes de peso do sistema financeiro foram escalados para depor. O caso testa se a apuração consegue ir até o fim quando cargos de topo do Estado aparecem no meio do caminho.

A resposta do escritório Barci de Moraes já foi dada publicamente. Falta saber se as investigações em curso confirmam ou afastam o restante do que ainda está sob sigilo.