A Cajubi, fundo de pensão dos funcionários de Itaipu, informou ter R$ 89,9 milhões investidos no Banco Ueno quando a instituição sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai. O valor, de 100,692 bilhões de guaranis, representa 2,8% de todos os ativos do fundo.

É dinheiro que cuida da aposentadoria de trabalhadores e aposentados ligados à usina, e que hoje está preso num banco que travou conta de quase 3 milhões de clientes e derrubou o presidente Santiago Peña.

Como o valor cresceu tão rápido

No fim de 2025, a Cajubi tinha 41,3 bilhões de guaranis (R$ 36,9 milhões) aplicados no Ueno. Em menos de um ano, o valor cresceu 2,4 vezes, um aumento de R$ 53 milhões.

A Cajubi diz ter escolhido o banco com base em critérios técnicos e informações públicas, já que ele tinha "balanços auditados que indicavam níveis adequados de solvência" no momento da aplicação.

O detalhe que muda o risco é o regime de aposentadoria da Cajubi: no modelo de Contribuição Definida, perdas de investimento não ficam só no papel, elas são divididas entre os próprios participantes ativos do fundo.

O tamanho do problema

O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai protege até 228,3 milhões de guaranis por pessoa em cada instituição, mecanismo parecido com o que protege correntistas no Brasil.

O valor investido pela Cajubi no Ueno equivale a cerca de 441 vezes esse limite de proteção.

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A administração brasileira de Itaipu Binacional já havia dito, em nota, não ter recursos aplicados no Ueno. A afirmação é tecnicamente verdadeira: quem tem a exposição é a Cajubi, entidade distinta que administra a aposentadoria dos empregados, não a empresa em si.

O que acontece agora

O caso da Cajubi segue o mesmo caminho incerto do próprio Banco Ueno: depende da intervenção do Banco Central paraguaio decidir o que resta aos credores, entre eles o fundo de pensão dos trabalhadores de Itaipu.

É um risco que ecoa debates recentes sobre fundos de pensão no Brasil, como o julgamento no STF sobre a idade de aposentadoria na Previ. Quando a regra ou o investimento muda, quem sente o efeito primeiro é o participante.