Alunos de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas (SP), relataram à Folha terem sido alvo de ofensas e ameaças em grupos de WhatsApp de estudantes após a vitória do presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), em 25 de outubro.
Segundo a Folha, os grupos reúnem de 58 a 216 integrantes vinculados a turmas de diferentes períodos, além de grupos abertos a toda a faculdade; os dois maiores somam 751 e 997 pessoas.
A reportagem ouviu três alunos do curso, que pediram para não ser identificados por medo de represálias. Segundo eles, membros dos grupos associam eleitores de Lula à pobreza, a benefícios sociais e a crimes.
Um dos episódios aconteceu depois de uma integrante escrever que "o pior não é Lula", mas "os eleitores dele". Em resposta, um colega enviou a foto de uma pistola com um cartucho à mostra e escreveu: "Vamos resolver isso com calma".
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Em nota, a Mandic informou ter aberto um procedimento disciplinar para apurar os fatos e afastado, de forma cautelar, um estudante, "diante da gravidade da manifestação inicialmente identificada". A faculdade não informou qual mensagem motivou o afastamento.
A instituição afirmou que a medida é preventiva, sem antecipação de julgamento, e que não compactua com condutas que incitem o ódio por convicções políticas.
Em nota, a Mandic classificou o episódio como "situações pontuais" e "discussões acaloradas" em grupos privados, fora do ambiente acadêmico. A faculdade disse ainda ter enviado um comunicado aos alunos e colocado o núcleo de apoio psicopedagógico à disposição.
Isso já tinha acontecido em outra faculdade de medicina?
Sim. Na semana anterior, a Folha mostrou que integrantes de um grupo de WhatsApp de estudantes de medicina da Unisa (Universidade Santo Amaro), em São Paulo, compartilharam ofensas a nordestinos e a eleitores de Lula depois do segundo turno.
A disseminação de mensagens hostis em aplicativos de mensagem ocorre num momento em que o STF já havia dado prazo a big techs para combater conteúdo antidemocrático nas redes.
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O episódio se soma a um padrão mais amplo de hostilidade política monitorado por autoridades: o TSE já havia acionado a Polícia Federal após identificar cerca de 30 mil ataques a servidores eleitorais desde a eleição.
O governo federal, por sua vez, já havia contabilizado 10 mortes ligadas à violência política depois do 2º turno, até o fim de outubro.
O que acontece agora
A apuração disciplinar aberta pela Mandic contra o estudante afastado segue em curso, sem prazo informado pela faculdade. A instituição não disse se vai encaminhar o caso à polícia.






























