O TRE-MG determinou nesta segunda-feira (31/08) que o candidato ao governo de Minas Mateus Simões (PSD) tire do ar um vídeo gravado dentro do Hospital Bom Pastor, em Varginha. A Justiça Eleitoral considerou que a gravação em área restrita do hospital público quebra a isonomia entre os candidatos.

No vídeo, Simões aparece mostrando a nova UTI, leitos e equipamentos de tratamento oncológico do hospital. Ele cita repasses do Estado de mais de R$ 20 milhões à instituição. A peça foi ao ar nas redes sociais da campanha.

A decisão atende a uma representação da coligação de Alexandre Kalil (PDT), formada com a Federação PSDB-Cidadania. Para o TRE-MG, a gravação em área de acesso restrito deu a Simões uma vantagem que os demais candidatos não têm.

Como governador em exercício, ele consegue entrar e filmar dentro de um hospital público que um rival de fora do governo não teria como visitar do mesmo jeito. É esse acesso desigual que a Justiça Eleitoral tentou corrigir.

O que acontece agora

A liminar dá 24 horas, a partir da notificação, para a campanha tirar o vídeo do ar. Depois do prazo, cada nova exibição custa R$ 1 mil de multa por dia.

A Meta, dona do Instagram e do Facebook, também foi notificada a bloquear o conteúdo caso a campanha não cumpra a ordem dentro do prazo estabelecido pelo tribunal.

Não é a primeira vez que a propaganda de Simões esbarra na Justiça Eleitoral nesta disputa. No mesmo fim de semana, o TRE-MG já havia suspendido inserções dele e de outros três candidatos por falhas de acessibilidade.

O motivo daquelas suspensões foi outro. Faltava legenda aberta, e a janela de intérprete de Libras estava fora do tamanho exigido por lei nas propagandas de TV.

Kalil também acionou a Justiça contra Patrus Ananias e Simões por excesso de tempo de apoiadores famosos na propaganda de cada um. Foi Lula na peça de Patrus, e o ex-governador Romeu Zema na de Simões.

A disputa pelo governo de Minas soma hoje seis nomes principais. Os patrimônios declarados pelos candidatos vão de zero a R$ 13,35 milhões, segundo levantamento feito a partir dos registros de candidatura no TRE-MG.

Simões é o governador em exercício desde março, quando assumiu o cargo após a saída de Romeu Zema para concorrer à Presidência. Até a publicação desta matéria, a campanha dele não havia se manifestado publicamente sobre a decisão do TRE-MG.