A prefeita de Frei Gaspar (MG), Jackeliny Nascimento (PT), publicou nas redes sociais apoio ao senador Cleitinho (Republicanos), candidato ao governo de Minas Gerais, e deixou de fora o nome de Patrus Ananias, candidato do próprio PT. A cúpula estadual do partido confirmou que vai avaliar se houve infidelidade partidária.

A publicação trazia uma montagem com os políticos que a prefeita chamou de "nosso time": o presidente Lula, Cleitinho, a deputada Marília Campos, o deputado Euclydes Pettersen, o senador Marcelo Aro e Neilando Pimenta.

Na legenda, ela escreveu: "Esse é o nosso time! Um time que acredita que cuidar de pessoas é o verdadeiro propósito de servir."

A ausência de Patrus não passou despercebida.

"Creio que parte deste time não é o time do Lula em Minas Gerais", reagiu a deputada estadual Leninha, presidente do PT-MG, em comentário feito na publicação e depois apagado.

Segundo o partido, a direção estadual vai apurar se a conduta da prefeita fere o estatuto partidário. Até a publicação desta matéria, nem Patrus Ananias nem Cleitinho haviam se manifestado sobre o caso.

O que diz o estatuto do PT sobre isso?

O estatuto do PT trata como infidelidade partidária fazer campanha para candidato de partido adversário contra deliberação da legenda. A pena vai de advertência a expulsão, sempre com direito de defesa antes da decisão.

Há precedente recente. Em 2025, o Diretório Estadual do PT no Tocantins expulsou um deputado e uma deputada estadual acusados de infidelidade partidária por apoiarem, publicamente, o candidato de outro partido ao Senado.

Uma punição, porém, não tira o mandato de Jackeliny. Segundo entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, a perda de cargo por infidelidade partidária não vale para prefeitos, eleitos pelo sistema majoritário, diferente do que ocorre com vereadores e deputados.

O nome de Marcelo Aro na montagem também chama atenção. Ele é o mesmo senador que, segundo perdeu apoio de prefeitos ao romper com Cleitinho e com o governador Mateus Simões, mas segue no grupo que a prefeita de Frei Gaspar chama de aliado.

Patrus já havia dito publicamente que a amizade de décadas com Lula pesou em sua decisão de disputar o governo de Minas, o mesmo padrinho político que a prefeita citou na montagem sem incluir o candidato do próprio partido.

O que o racha revela

O episódio expõe uma fratura que pode se repetir até outubro, com outras lideranças municipais do PT escolhendo entre a fidelidade à legenda e alianças construídas na própria cidade.

Quantos prefeitos vão seguir o caminho de Jackeliny é algo que o diretório estadual do partido ainda não tem como medir.