Os 11 candidatos ao governo de Minas Gerais declararam à Justiça Eleitoral R$ 26,18 milhões em bens, segundo o DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os valores vão de R$ 479,89 a R$ 13,35 milhões, e três concorrentes informaram não possuir nenhum bem.

O empresário Flávio Roscoe (PL) lidera com R$ 13.350.362,21 distribuídos em 25 bens. Sozinho, ele responde por 51% de tudo o que a disputa declarou, e o maior item da lista soma R$ 7.228.167,25.

Alexandre Kalil (PDT) aparece em segundo, com R$ 5.941.176,84 em 42 bens, o maior número de itens entre os concorrentes, e já liderava a lista de imóveis declarados.

O governador Mateus Simões (PSD) declarou R$ 2.904.492,23, seguido de Gabriel Azevedo (MDB), com R$ 1.702.153,88; Patrus Ananias (PT), com R$ 1.247.212,54; e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), com R$ 956.564,03.

Na parte de baixo estão Ben Mendes (Missão), com R$ 80 mil, e Indira Xavier (UP), com R$ 479,89. Henrique Áreas (PCO), Túlio Lopes (PCB) e Rafael Duda (PSTU) informaram não ter bem algum, padrão que também apareceu no levantamento dos candidatos no Pará.

Entre os quatro que também concorreram em Minas em 2022, Kalil teve a maior alta. Ele declarou R$ 3.652.820,88 naquele ano, no mesmo cargo, uma diferença de R$ 2.288.355,96, ou 62,65% a mais.

Cleitinho, que concorreu ao Senado em 2022, subiu 75,65%, de R$ 544.570,76 para o valor atual. Patrus, então candidato a deputado federal, avançou 21,66%.

Simões seguiu na direção oposta e declarou R$ 80.766,89 a menos do que em 2022, queda de 2,71%. A declaração entregue ao TSE não detalha o motivo da variação.

A comparação é entre duas declarações, e não entre auditorias. Três dos quatro disputavam outro cargo em 2022, e cada documento retrata o que o candidato informou então.

Nas chapas majoritárias, o maior patrimônio não está com quem encabeça. Jarbas Soares (PSB), vice de Patrus, declarou R$ 7.838.326,83, 6,3 vezes o do candidato ao governo da própria chapa.

Ellen Miziara (PL), vice do candidato que mais declarou, informou não possuir bens, assim como Estevão Gomes (PCO) e Warlen Nunes (PCB). Os 11 vices somam R$ 18,39 milhões.

O que a declaração de bens não mostra

A relação é exigida pela Lei das Eleições no pedido de registro e é preenchida pelo próprio candidato. Nenhum dos valores passou por auditoria da Justiça Eleitoral antes de ir ao ar.

O documento traz o valor informado pelo candidato, que não é o preço de mercado do bem, e não alcança patrimônio em nome de terceiros nem participação em pessoa jurídica. Omissão ou subdeclaração é apurada depois, caso a caso.

Como consultar a declaração de qualquer candidato

A consulta é pública e gratuita. No divulgacandcontas.tse.jus.br, basta abrir a Eleição Geral Federal 2026, clicar em Sudeste, em Minas Gerais e no cargo de governador. A ficha de cada nome traz a lista de bens, atualizada a cada 60 minutos.

O que acontece agora

As candidaturas seguem sob análise do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que nesta segunda-feira (31) suspendeu a propaganda de quatro candidatos.

Quatro registros estavam deferidos (Simões, Patrus, Indira Xavier e Túlio Lopes) e sete aguardavam julgamento. O registro só se torna definitivo com a decisão da Justiça Eleitoral, e a eleição é em 4 de outubro.