A disputa pelo governo de Minas Gerais entra na fase decisiva neste fim de semana. A partir das 10h deste sábado (1º), o plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) abriga uma sequência de convenções partidárias que vão oficializar candidaturas ao governo do estado e ao Senado — enquanto o Republicanos ainda não resolveu o impasse com o senador Cleitinho Azevedo.

O MDB abre a maratona neste sábado, oficializando Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, como candidato ao governo. A convenção também define alianças para o Senado e as chapas para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia. "Minas Gerais precisa de postura por parte de todos os atores envolvidos no processo eleitoral. É possível e necessário manter relações institucionais respeitosas durante a disputa, pautando o debate por propostas, sem ataques pessoais ou degradação da política", afirmou Gabriel Azevedo.

Domingo tem PSD, PSB e a definição do vice

No domingo (2), às 9h, é a vez do PSD confirmar o governador Mateus Simões na disputa pela reeleição. Dois pontos seguem em aberto na chapa: a composição da segunda vaga ao Senado e a indicação do vice-governador, que deve sair do Partido Novo — os nomes em análise são Fernanda Altoé e Thiago Mitraud. O ex-governador Romeu Zema (Novo) é esperado no evento; o acordo com o PSD prevê justamente que a vaga de vice fique com o partido dele.

Ainda no domingo, das 15h às 19h, o PSB realiza sua convenção na ALMG para oficializar Jarbas Soares Júnior na segunda vaga ao Senado — a primeira ficará com Marília Campos. Na segunda-feira (3), das 18h às 19h, também na Assembleia, a federação União-PP se reúne, com a situação de Marcelo Aro em aberto: ele pode disputar o governo ou voltar à corrida pelo Senado.

O impasse do Republicanos com Cleitinho

A maior indefinição continua sendo a do Republicanos. O partido divulgou nota na quarta-feira (29) descartando a candidatura de Cleitinho ao governo, sob o argumento de que "uma candidatura exige, acima de tudo, decisão firme de quem pretende disputar" e de que "tal decisão nunca aconteceu". O estopim foi a ausência do senador na convenção estadual da legenda, em Belo Horizonte, no sábado (25) — data que marcava uma semana da morte de seu irmão caçula, Matheus Azevedo.

Na noite da mesma quarta-feira, em Divinópolis, sua cidade natal, Cleitinho reafirmou que é pré-candidato ao governo, tendo como vice Luís Eduardo Falcão, ex-presidente da Associação Mineira de Municípios. Na ocasião, o senador disse que não usaria o Fundo Eleitoral, declaração que causou desconforto no partido.

Na sexta-feira (31), o presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, matizou o comunicado. "Como foi narrado naquela carta e em diversas reuniões, o Cleitinho até o momento não tinha se sentido à vontade para registrar a candidatura", disse. Sobre a falta: "Uma perda muito grande o irmão caçula e respeitamos a ausência dele na convenção". E sinalizou recuo: "Na medida em que o Cleitinho fala que é candidato, a gente tem que recuar essas outras conversas para dar prioridade ao plano um, que é o Cleitinho".

Diante da indefinição, o Republicanos passou a considerar apoiar uma eventual candidatura de Marcelo Aro (PP) ao governo. Nos bastidores, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Tarcísio de Freitas atuam para reverter a decisão, e o PL teme prejuízo à direita mineira caso Cleitinho fique fora da disputa. A tensão vem de antes: em junho, o senador disse não confiar 100% no presidente nacional do partido, Marcos Pereira, e afirmou ter "nojo" de tudo o que se relaciona a partido.

O calendário aperta. As convenções partidárias precisam terminar até 5 de agosto. Ajustes na composição das chapas e o registro oficial das candidaturas na Justiça Eleitoral vão até 15 de agosto, e a propaganda eleitoral e os atos de campanha só começam em 16 de agosto.