A campanha de Alexandre Kalil (PDT) protocolou neste domingo (30) uma representação na Justiça Eleitoral contra os adversários Patrus Ananias (PT) e Mateus Simões (PSD) na disputa pelo governo de Minas Gerais. O pedido é a suspensão de trechos da propaganda eleitoral dos dois rivais.

A ação contesta o tempo dado à participação dos presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Romeu Zema (Novo) nas inserções de rádio e TV que começaram a ser exibidas na sexta-feira (28), início do horário eleitoral gratuito.

O argumento jurídico é a violação da Resolução TSE nº 23.610, que limita a 25% do tempo total das inserções a participação de apoiadores na propaganda partidária.

Segundo a peça, a campanha de Patrus usou 1 minuto e 5 segundos de um bloco de 1 minuto e 54 segundos para mostrar Lula ao lado do candidato. Nas inserções diárias de 30 segundos, quase 100% do tempo foi dedicado à imagem do presidente.

A campanha de Simões, por sua vez, teria usado a totalidade dos segundos de sua inserção para exibir Romeu Zema, até então governador de Minas e hoje candidato à Presidência pelo Novo. Kalil pede a suspensão imediata das veiculações questionadas e multa de R$ 25 mil por descumprimento.

Causa estranheza que, justamente quando as pesquisas registram o crescimento de Patrus, os adversários recorram à Justiça para tentar esconder do eleitor mineiro uma informação importante: em Minas, o candidato do presidente Lula é Patrus

A frase é de Patrus Ananias, em reação à ação de Kalil. Mateus Simões não se manifestou sobre o processo.

Como os outros candidatos usaram a estreia

A disputa mostra estratégias distintas entre os 11 candidatos ao governo de MG — apenas 6 têm acesso ao horário eleitoral gratuito. Na estreia da propaganda na TV, o próprio Kalil criticou a gestão estadual, enquanto Simões defendeu obras como hospitais regionais e o metrô de BH.

Gabriel Azevedo (MDB) se apresentou como opção de centro, e Flávio Roscoe (PL) atrelou o nome ao senador Flávio Bolsonaro. Cleitinho Azevedo (Republicanos) citou pesquisas favoráveis e a bandeira da redução do IPVA.

Simões governa o estado desde que Zema deixou o cargo para concorrer à Presidência, mas soma apoio pequeno nas pesquisas: 41% aprovam sua gestão, mas apenas 4% dizem votar nele para governador, segundo pesquisa divulgada nesta semana.

Do outro lado, Lula tem reforçado presença pessoal na campanha de Patrus: no sábado (29), fez ato com 5 mil mulheres em Belo Horizonte para impulsionar a candidatura petista.

O que acontece agora

Cabe agora à Justiça Eleitoral de Minas Gerais analisar o pedido de Kalil e decidir se determina a suspensão das inserções contestadas. A eleição para governador do estado será em 4 de outubro.