A Petrobras reajustou nesta terça-feira (1º) o preço do querosene de aviação vendido às distribuidoras em 13,9%, alta de R$ 0,68 por litro em relação a agosto. A companhia atribui o aumento à valorização internacional do combustível, pressionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Com o novo valor, o QAV acumula alta de 53,3% em 2026 (R$ 1,94 a mais por litro que em dezembro de 2025).
Segundo a Petrobras, a precificação segue fórmula paramétrica contratual, um amortecedor de curto prazo que resulta em reajustes mais moderados do que os praticados no mercado internacional.
O preço internacional do barril reflete o mesmo conflito. No fim de agosto, o petróleo chegou a US$ 90 com a escalada entre Irã e Estados Unidos, patamar que encarece o refino de derivados como o QAV.
O que muda no preço da passagem
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa companhias como Azul, Gol e Latam, soma os reajustes de março (9,4%) e abril (55%) ao de hoje e afirma que o combustível já responde por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas.
A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo.
É o que diz a Abear sobre a sequência de reajustes. O peso maior no orçamento das aéreas tende a pressionar o preço final das passagens, embora o bilhete também dependa da procura por voos, da concorrência entre companhias e do câmbio.
Em agosto, a guerra no Oriente Médio já havia custado R$ 5,2 bilhões extras às companhias aéreas brasileiras, segundo estimativa do setor. O novo reajuste se soma a essa conta.
Para amenizar o impacto sobre as distribuidoras, a Petrobras retoma em setembro o parcelamento do reajuste em até três prestações mensais, sem exigência de garantia adicional. A estatal afirma que os volumes de QAV solicitados pelas distribuidoras para o mês estão garantidos.
O que acontece agora
A Petrobras revisa o preço do QAV mensalmente, sempre no início do mês. A próxima atualização sai em outubro e deve seguir refletindo a cotação internacional do petróleo, hoje pressionada pela tensão no Oriente Médio.
O balanço de seis meses de guerra na região mostra que o efeito sobre o Brasil já passa pelo preço dos combustíveis e pela inflação.


























